Wilton Junior/AE
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Ladrão mata PM no Rio, é preso sem ferimentos e chega morto ao hospital

Reportagem do 'Estado' flagrou cena de violência na Avenida Rio Branco; bandido em fuga deu tiro à queima-roupa no rosto do policial

Gabriela Moreira e Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 00h00

Um policial militar foi morto ontem na Avenida Rio Branco, a principal via do centro do Rio, com um tiro na cabeça por um assaltante. O bandido foi preso e algemado e ficou estendido no chão da via por dez minutos. Não apresentava marca de tiro ou outro ferimento. Com a perna esquerda suja de sangue do PM baleado, foi levado por dois policiais para o Hospital Souza Aguiar, também no centro. Segundo a PM, ele morreu no caminho.

 

especial Veja o depoimento do repórter fotográfico do 'Estado' que presenciou a cena

O assaltante foi morto com um tiro na barriga de uma pistola calibre 380. De acordo com a PM, o tiro foi disparado pelo policial que morreu. Segundo o hospital, o assaltante chegou à unidade morto e não portava documentos de identificação. A ação foi flagrada pela reportagem do Estado.

De acordo com policiais militares, o soldado Bruno de Castro Ferreira, e um colega, identificado como Danilo, foram abordados por volta das 14h30 por pedestres que avisaram sobre a atuação de dois assaltantes no Largo da Carioca. A dupla de PMs atuava no policiamento bancário. Os criminosos já haviam roubado três pessoas e agiam na Rio Branco, na altura da Rua da Assembleia, quando foram abordados por Castro e o colega. Osvaldo da Silva Oliveira Júnior, de 22 anos, foi preso, sem oferecer resistência, pelo cabo Danilo. Morador da favela Nova Holanda, Osvaldo tinha cinco passagens pela polícia, por furto.

Castro continuou perseguindo o outro bandido. No caminho entre o local dos assaltos e a esquina na Rio Branco com Rua Sete de Setembro, dezenas de guardas municipais tentaram conter o assaltante. "Eu mandei parar, cheguei a persegui-lo, mas quando ele apontou a arma, parei", contou um guarda, que não se identificou. A perseguição provocou correria nas ruas do centro.

Ao alcançar o assaltante, Castro deu voz de prisão. O bandido, ao continuar a fuga, se atracou com um pedestre. Ambos caíram no chão, e o PM, de pé, insistiu na voz de prisão. No chão, tentando se esconder embaixo de um táxi, o bandido atirou contra o rosto de Castro. O criminoso levava uma pistola calibre 45. O outro policial conseguiu desarmar o bandido e o algemou. Testemunhas confirmaram ao Estado que o soldado morreu com um tiro à queima-roupa ao abordar o assaltante.

Rendido. Funcionários de escritórios da Avenida Rio Branco afirmam que viram o criminoso se render com as mãos para cima. Rendido no chão e de bruços, o bandido, consciente, não quis falar. Protegido por cinco homens da Guarda Municipal, ele se negou a dizer o nome e tentava se esquivar dos chutes e pisões de pedestres que conseguiam furar o bloqueio dos agentes. "Esse assassino tem de morrer", gritavam transeuntes, que formaram um cordão em volta do corpo do PM e do assaltante algemado.

A funcionária de uma banca de jornal em frente ao local da morte do policial conta que pessoas chegaram a se esconder na banca no momento do cerco ao criminoso. "Eu estava na banca quando o policial gritou para o bandido parar. Nessa hora, todos correram. Achávamos que ia haver tiroteio. Todos correram e ouvi o tiro. Quando saí da banca, o policial estava caído", contou Sandra Helena, de 34 anos.

Investigação. À tarde, equipes da Delegacia de Homicídios, que assumiu o caso após a morte do bandido, percorreram prédios da Avenida Rio Branco e da Sete de Setembro em busca de câmeras de prédios e estabelecimetnos comerciais da região que tenham registrado imagens da ocorrência. De acordo com a Polícia Militar, o soldado Bruno de Castro Ferreira completaria 31 anos hoje.

PARA LEMBRAR

Sequestrador do 174 foi morto em viatura

Em 2 de março de 1995, após um roubo no Shopping Rio Sul, Cristiano Moura Mesquita de Mello, de 20 anos, foi morto com três tiros na frente de uma equipe de TV pelo cabo Flávio Ferreira Carneiro, condenado posteriormente a dez anos de prisão. Em junho de 2000, Sandro do Nascimento foi colocado vivo em uma viatura da polícia, após manter os passageiros do ônibus 174 reféns na zona sul do Rio, e matar a professora Geísa Gonçalves. Chegou morto ao hospital. Laudo apontou que ele foi asfixiado na viatura. Três PMs acusados da morte foram absolvidos.

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