Ladrão leva ônibus com 40 crianças

Assaltante que escapava da PM na zona norte do Rio exigiu ser transportado até favela; na fuga, baleou mulher em um posto médico

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2012 | 03h04

Uma mulher foi baleada dentro de uma unidade de saúde e um ônibus escolar com 40 crianças foi sequestrado na tarde de ontem, durante uma perseguição da polícia a dois bandidos na zona norte do Rio. Um dos criminosos morreu baleado.

O ônibus levaria 40 alunos para uma excursão e estava parado em uma escola particular, esperando a hora da saída. Um dos criminosos obrigou o motorista a ir até uma favela. Lá, ele desceu do veículo e fugiu. As crianças foram liberadas às 17 horas.

A confusão começou por volta das 14h30, quando soldados do 41.º Batalhão da Polícia Militar (Irajá) que estavam em uma viatura na Avenida Automóvel Clube viram dois suspeitos em um Gol cinza que havia sido roubado no bairro de Fazenda Botafogo. Houve troca de tiros e os ladrões abandonaram o veículo na Rua Ouseley, no bairro de Coelho Neto. O ladrão que dirigia o carro roubado foi baleado. Ele foi levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, mas não resistiu.

O segundo bandido invadiu o Posto de Atendimento Médico (PAM) de Coelho Neto, também na Rua Ouseley, e manteve pacientes reféns. Uma mulher de 33 anos foi feita de escudo humano. Os policiais cercaram o PAM e tentaram iniciar uma negociação com o criminoso, mas o bandido atirou no abdômen da vítima e pulou o muro que separa a unidade médica de um colégio particular.

Na escola, o criminoso invadiu o ônibus e obrigou o motorista a levá-lo ao Morro da Pedreira, também em Costa Barros. Em uma das entradas da favela, ele desceu do veículo e fugiu. Professores que estavam no ônibus conseguiram distrair as crianças, que não perceberam o que havia acontecido.

Vítima. A mulher baleada é Claudia Lago de Souza, de 33 anos. Ela também foi levada para o Hospital Estadual Carlos Chagas. A Secretaria do Estado de Saúde informou que a bala que a atingiu atravessou o abdômen e saiu pelo glúteo. Claudia foi submetida a uma cirurgia que durou 4 horas e meia. Ela está sedada, em estado grave, no Centro de Tratamento Intensivo (CTI).

Irmã da vítima, Lucileia Lago disse ao Estado que Claudia foi ao PAM levar seu filho de 10 anos para uma consulta. "O menino ficou na sala e minha irmã saiu para pegar um remédio para ele, quando o bandido invadiu o PAM. É um absurdo uma pessoa procurar um hospital para cuidar da saúde e sair de lá correndo risco de morrer." O atendimento no PAM foi suspenso ontem e as consultas serão remarcadas.

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