Ladrão leva 5 telas de museu de Paris

Alarmes do Museu de Arte Moderna não funcionam e, sozinho, homem furta quadros avaliados em 100 milhões, incluindo um Picasso e um Matisse

Andrei Netto, MADRI, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2010 | 00h00

Falhas no sistema de segurança do Museu de Arte Moderna de Paris permitiram que pelo menos um homem furtasse cinco obras-primas da pintura, avaliadas entre ? 90 milhões e ? 100 milhões. As telas de Picasso, Matisse, Braque, Léger e Modigliani desapareceram na madrugada de ontem, quando os alarmes do museu, situado no 16.º distrito de Paris, não estavam em funcionamento.

De acordo com imagens do circuito interno e as primeiras investigações, um homem mascarado teria cortado o vidro de uma janela e rompido o cadeado que fechava uma grade para entrar no museu, fundado em 1961 e com um acervo de mais de 8 mil peças de arte do século 20.

O bandido buscou as obras em diferentes salas - O Pombo e as Ervilhas, de Pablo Picasso; A Pastoral, de Henri Matisse; A Oliveira próxima a Estaque, de Georges Braque; A Mulher com Leque, de Amedeo Modigliani; e Natureza-Morta com Candelabros, de Fernand Léger. As telas foram retiradas das molduras com estilete.

Facilitador. O crime foi facilitado, segundo o prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, por uma "disfunção parcial" do alarme do museu, em pane desde 30 de março deste ano.

As autoridades admitem, porém, planejamento na ação. "Entrar no museu cortando um vidro, escolher cinco telas e partir desmoralizando a vigilância e os vídeos é impressionante", disse Christophe Girard, secretário de Cultura de Paris.

Tão logo foi descoberto, às 6h50, o caso mobilizou a Interpol. Peritos do Escritório Central de Luta contra o Tráfico de Bens Culturais (OCBC), da França, começaram a atuar na coleta de indícios e fecharam o museu para o público.

Há duas hipóteses: a encomenda por ricos colecionadores ou tentativa de chantagem. "São, provavelmente, criminosos que tentarão achacar o museu, o Estado ou trocar as telas no mercado paralelo por drogas ou armas", disse Robert Read, do escritório Hiscox, de Londres, especializado em seguro de arte.

Segundo o OCBC, obras roubadas são revendidas na Europa, Estados Unidos e Japão - e a maior parte não é recuperada.

Na mira. França e Itália são os países mais atingidos por roubo de arte, segundo a Interpol. Os crimes ocorrem porque boa parcela das instituições pequenas e médias não tem segurança compatível com seu acervo.

Censo do OCBC indicou que, em 2008, mais de 2 mil obras de arte haviam sido roubadas somente na França. Em 2009, houve dois roubos emblemáticos. Em junho, um caderno de desenhos de Picasso - avaliado em ? 3 milhões - desapareceu do Museu Picasso. Em dezembro, a tela As Coristas, de Edgar Degas, avaliada em ? 800 mil, foi roubada do Museu Cantini, localizado em Marselha.

A Interpol procura 26 mil obras e o OCBC registra 80 mil objetos de arte extraviados.

PRINCIPAIS ROUBOS DE ARTE

1969, Itália

Natividade, de Caravaggio (US$ 20 milhões). Não recuperado

2002, em Amsterdã

Dois quadros de Van Gogh (US$ 30 milhões). Não recuperados

2006, Chácara do Céu, Rio

Telas de Monet, Picasso, Matisse e Dali. Nenhuma recuperada

2004, em Oslo

O Grito, de Munch. Recuperado em 2006

2007, no Masp

Uma tela de Portinari e outra de Picasso. Recuperadas

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