Ladrão: ''Estou levando sua bolsa. Desculpe''

Foi a frase que uma vítima ouviu durante arrastão em restaurante; polícia acha que mais quadrilhas devem ter aderido à modalidade criminosa

Plínio Delphino, O Estado de S.Paulo

17 Março 2011 | 00h00

A quadrilha que faz arrastões em restaurantes da zona oeste também atacou um café na região do Ipiranga, zona sul de São Paulo. Ontem, um cliente assaltado no restaurante Pita Kebab, na Rua Francisco Leitão, em Pinheiros, ajudou a polícia a elaborar o retrato falado do líder do bando que está apavorando a região. Um funcionário do mesmo restaurante e um outro do Fran"s Café do Ipiranga reconheceram a imagem, segundo a polícia.

O bandido descrito no retrato falado aparece nas imagens feitas por câmeras de segurança da Rua Francisco Leitão, que mostra o assalto no Pita Kebab. O retrato foi reconhecido também por vítimas do assalto ocorrido em um restaurante da Rua Oscar Freire, esquina com Cardeal Arcoverde. É um homem magro, de cavanhaque, aparenta 26 anos, branco, de cabelos curtos.

Segundo as vítimas, o bando que mais atuou naquela região não usa gírias ao falar e tem integrantes extremamente educados. Em um dos casos, o bandido pediu desculpas à vítima. "Estou levando sua bolsa, porque é a forma que eu encontrei para sobreviver. Desculpe." Em outro caso, um dos bandidos pediu permissão a um funcionário para pegar um refrigerante.

Em menos de dois meses, o 14.º Distrito Policial (Pinheiros) registrou oito assaltos a restaurantes da Vila Madalena. Policiais da delegacia estão trocando informações com investigadores do 78.º DP (Jardins), que apura o assalto ao Galeto"s da Alameda Santos, ocorrido na segunda-feira, em que os bandidos adotaram o mesmo modo de ação.

Há relatos de vários outros casos de arrastões em restaurantes na região, cujas vítimas não avisaram a polícia. O Lilló, na Vila Mariana, sofreu arrastão no carnaval, quando dez clientes foram abordados. Também houve assaltos em restaurantes de Moema e Morumbi, mas aí a polícia acredita que não se trate da mesma quadrilha. "Muitas vezes uma modalidade criminosa, quando descoberta, desperta a atenção de outras quadrilhas, que passam a agir de forma semelhante", observou o delegado Ricardo Sestari, titular do 14º DP.

Cabeça baixa. O delegado Dejair Rodrigues, titular da 3ª. Seccional (Oeste) explicou que, em alguns assaltos na Vila Madalena, as vítimas não conseguem reconhecer os assaltantes e por isso ainda não se sabe se uma só quadrilha é responsável pelos oito casos investigados na área. "Houve caso em que clientes e funcionários foram obrigados a ficar de cabeça baixa e por isso não viram os bandidos."

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