Ladrão de turista em SP prefere agir em eventos à noite e mira os distraídos

Só em 7,6% dos 274 registros feitos nos últimos 12 meses bandido usou de ameaça ou violência; nº de casos em hotéis e na rua se igualam

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

25 Março 2012 | 03h03

Feiras, convenções e shows noturnos, no Anhembi e no Morumbi, representam o maior risco de crime para quem visita São Paulo. E, mais do que a violência física, é o oportunismo dos ladrões que tem transformado turistas em vítimas na capital paulista. Os furtos são responsáveis por nove em cada dez queixas registradas por pessoas de fora da Região Metropolitana de São Paulo na Delegacia de Atendimento ao Turista (Deatur).

É o que mostra um levantamento feito pelo Estado com os 274 boletins de ocorrência registrados por visitantes nos últimos 12 meses na Deatur. A amostragem revela que os roubos - quando a vítima sofre ameaça ou alguma violência - representaram apenas 7,6% dos crimes contra turistas na delegacia especializada, que concentra grande parte dos registros envolvendo pessoas de fora da Região Metropolitana. Os eventos têm a preferência desse tipo de criminoso: houve 134 registros nessas situações e 26 em shows.

"O que se tem é o crime de oportunidade", afirma o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, responsável pela Divisão de Portos, Aeroportos, Proteção ao Turista e Dignitários. O fato de contar com a distração do alvo também explica por que a maior parte dos crimes ocorre à noite (111) - pela manhã, em contrapartida, foram apenas 50 registros.

Lima e Silva explica que, em alguns casos, o responsável pelo furto nem mesmo é um "ladrão profissional", embora existam quadrilhas especializadas que atuam nesse ramo, mas uma pessoa que resolve aproveitar a distração do turista para praticar o crime. O comportamento do visitante também contribui para isso. "Quando está em viagem, a pessoa foge da rotina à qual está acostumada e, por isso, acaba se expondo mais."

Por local, o Anhembi lidera o ranking de queixas (130 ou 47%), seguido do Estádio do Morumbi (14). Vale ressaltar que o centro de convenções acaba concentrando a maior parte dos BOs porque tem um posto da Deatur, o que favorece a notificação. O mesmo ocorre com o Morumbi, que recebe um posto em dia de shows. A delegacia ainda foi notificada de ataques a turistas no Expo Center Norte (8), zona norte, nas Praças da República (8) e da Sé (7) e na Rua Augusta (4).

Ruas e hotéis. Pelos BOs, também não se pode dizer que os turistas estão mais seguros nos locais em que se hospedam. Dos 274 registros no último ano, 134 se referem a eventos (shows, convenções e palestras), 48 ocorreram nas ruas e outros 48 em hotéis - o restante se refere a shows e ataques em lugares incertos. "Tem quem largue o laptop e vá tomar café, participar de convenção. Mas não é culpa do turista. Nós é quem devemos cuidar da segurança dele", diz o presidente da Federação dos Hotéis do Estado de São Paulo, Maurício Bernardino.

Bernardino diz que, no último trimestre do ano passado, o furto dentro dos quartos é que mais chamou a atenção - normalmente, nos saguões e restaurantes dos hotéis. A maior parte se devia a uma quadrilha, que foi presa. O representante do setor hoteleiro observa ainda que há um perfil típico dos ladrões nesse ramo. "São bandos formados por pessoas de alguns países sul-americanos, que agem no Brasil, na Argentina e no Chile."

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