Ladrão atira em grávida de 9 meses

Polícia acredita que jovem de 25 anos reagiu a tentativa de assalto ao estacionar perto de casa e foi ferida na cabeça; bebê foi salvo e já deixou UTI neonatal

TIAGO DANTAS, WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2013 | 02h03

A assistente administrativa Daniela Nogueira de Oliveira, de 25 anos, grávida, foi baleada na cabeça quando chegava em casa na noite de terça-feira, 8, no Condomínio Horto do Ypê, na zona sul de São Paulo. Ela estava no fim da gestação e os médicos conseguiram salvar criança, que já deixou a UTI neonatal. Até as 23 horas de de quarta-feira, ela permanecia internada em estado grave, em coma e sem reação, no Hospital do Campo Limpo.

Segundo a polícia, a principal hipótese é de que ela tenha sido vítima de uma tentativa de assalto. Os criminosos, no entanto, não levaram nada. Imagens de câmera de segurança de um prédio perto do local do crime mostram Daniela passando pela Rua Osíris de Camargo, onde costumava estacionar o carro. Ela e o marido, o gerente Josemar Araújo de Oliveira, de 26 anos, tinham apenas uma vaga de garagem para os dois veículos da família. Enquanto passava pelo local, Daniela era seguida de perto por dois homens em uma moto Twister.

O lugar exato onde a assistente administrativa estacionou fica fora do alcance das câmeras. Mas logo em seguida as imagens gravadas pelo sistema de segurança do prédio mostram um jovem correndo pela rua. Daniela foi encontrada do lado de fora do carro, ainda com a bolsa, com um tiro na cabeça.

A vítima deu entrada no Hospital do Campo Limpo às 21h04. Em seis minutos, os médicos decidiram pela realização da cesariana, para salvar o bebê. A criança, chamada Gabriela, nasceu com 2,2 quilos e saudável - o parto estava programado para a sexta-feira da próxima semana.

O assistente técnico da diretoria do hospital, Waldyr Jorge, afirmou que Daniela está no nível Glasgow 3 da escala de coma, que é o pior índice de resposta motora, ocular, verbal e neurológica existente. Sobre as chances de que a assistente administrativa permaneça com vida, o médico fez uma avaliação pessimista. "Milagres existem e nós temos de acreditar neles. Mas, lamentavelmente, o trauma foi de muita gravidade", afirmou.

A bala permanece no centro do cérebro de Daniela, que, segundo Jorge, está em uma situação "inoperável".

Os familiares chegaram a cogitar a transferência da assistente administrativa para o Hospital Albert Einstein durante o dia, mas eles foram desaconselhados pelos próprios médicos do Hospital do Campo Limpo, que temiam que ela não resistisse.

Investigação. O caso está sendo apurado por investigadores do 37.º DP (Campo Limpo). Até as 23 horas de ontem, no entanto, os ladrões não haviam sido encontrados pela polícia.

Os parentes da Daniela estavam revoltados. Para eles, a assistente administrativa foi vítima de ladrões. "A opinião que a gente tem é de que foi tentativa de assalto. A gente não sabe se ela reagiu, se o cara se assustou. Quantas coisas mais precisam acontecer aqui em São Paulo para a gente aprender? Que os nossos governantes coloquem seus planos em prática?"

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