Karis Bertuzo, mãe da menina
Karis Bertuzo, mãe da menina

Ladrão atende apelo de mãe e devolve exames de menina com doença rara

Caso foi registrado em Sertãozinho, no interior de São Paulo; bandidos tinham levado HD externo que continha dados sobre evolução médica da garota e o levaram de volta após pedido em redes sociais

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

28 Março 2018 | 11h17

SOROCABA - Depois de ter a casa invadida e furtada na última segunda-feira, 26, em Sertãozinho, no interior de São Paulo, a antropóloga Karis Bertuzo, mãe de uma menina portadora de doença rara, fez um apelo em redes sociais para que os ladrões devolvessem ao menos o HD externo de um notebook que havia sido levado.

No equipamento estavam exames recentes e todo o histórico do tratamento da pequena Luiza, que há três anos passou por cirurgia com células tronco no exterior e depende dos exames para obter medicamentos e manter sua recuperação.

No fim da noite desta terça-feira, 27, a própria Karis atendeu ao toque da campainha da casa e se deparou com uma pessoa que lhe entregou o equipamento furtado. Ela conta que, emocionada, abraçou o possível ladrão.

Luiza, a filha de Karis e do bibliotecário Marcos Bertuzo, atualmente com 6 anos, sofre de uma doença que afetou seriamente o desenvolvimento neurológico e motor. Aos 3 anos, a criança sofreu perda da fala, dificuldade de compreensão, desorganização da memória imediata e problemas de coordenação motora.

A família lançou uma campanha pelas redes sociais e conseguiu arrecadar R$ 160 mil para levar a menina para um tratamento com células-tronco no México.

"Foi um tratamento de neuro regeneração que não era feito no Brasil, com uso de células-tronco da própria Luiza. Ela ainda sofre distúrbios de linguagem, mas já anda de bicicleta, patinete, dança e brinca. Dentro de casa, ela já é completamente autônoma, porém, precisamos continuar o tratamento para evitar nova regressão", conta a mãe.

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Todo o progresso obtido, filmado em vídeos e detalhado em relatórios minuciosos, e que podem ser úteis para a identificação da doença até agora desconhecida, estavam no HD do notebook furtado.

"Sem esse histórico, ficava difícil acompanhar o desenvolvimento dela e fornecer dados para a comunidade científica encontrar o diagnóstico. Quando vimos que tinha sido levado, entramos em desespero e, como sabemos a força das redes sociais, fizemos o apelo." Na postagem, os pais pediam a devolução do HD e cartões de memória, e até se dispuseram a pagar pelo resgate do material. "Ele pode nos ajudar a salvar a vida da Luiza", diziam no texto. 

Quando a campainha soou, quase à meia-noite de terça, Karis foi à porta da casa sem imaginar o que seria. "Quando estávamos em campanha pela Luiza, era gente que chegava de dia e de noite, então pensei que fosse algum amigo ou parente. Quando vi a pessoa estendendo o notebook, falei 'não acredito', e dei um abraço nela. Só entendi que podia ser o ladrão quando a pessoa me disse: 'pega e entra'", descreveu.

Segundo ela, Marcos correu para checar se nada havia sido apagado. "Felizmente, estava tudo lá, não foi mexido." O casal, agora, nem se importa em recuperar a TV, a máquina fotográfica e outros bens levados durante o furto. "O que era essencial foi recuperado. Só temos que agradecer", diz Karis.

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