Kersul não vê risco se reforma em Guarulhos for adiada

Segundo ele, Jobim pediu as causas do acidente; no entanto, ele tem apenas hipóteses

Tânia Monteiro, Estadão

31 de julho de 2007 | 18h51

O chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul Filho, afirmou nesta terça-feira, 31, que não acredita que haja risco para a segurança na pista principal do Aeroporto de Guarulhos, caso ela não seja reformada agora.  "Não creio (que haja risco), porque existem responsáveis por verificar as condições da pista, e a gente tem de confiar no trabalho deles. Senão, vamos duvidar de tudo, e a gente tem de acreditar que cada um está fazendo o seu trabalho. Existem órgãos responsáveis pela fiscalização", disse o brigadeiro a jornalistas, após encontro com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O brigadeiro contou que, na conversa com Jobim, foi comentado o acidente com o Airbus da TAM que explodiu no Aeroporto de Congonhas no dia 17 matando cerca de 200 pessoas. Segundo Kersul, a preocupação do ministro é a mesma de todas as pessoas. "Mas eu não tenho respostas. Tenho apenas hipóteses", afirmou. A uma pergunta sobre o conteúdo dos últimos minutos da gravação da caixa de voz do Airbus, Kersul disse que não teve acesso a esses dados. "Não conheço os diálogos, não sei como foram os últimos segundos daquele vôo", afirmou. Acrescentou que fez questão de não ouvir os diálogos, porque não lhe interessa conhecê-los. Disse que isso interessa apenas à comissão de investigação da Aeronáutica. "Para mim, seria uma curiosidade mórbida, e eu não tenho esse tipo de curiosidade." O brigadeiro declarou ainda não acreditar que haja risco de vazamento das informações das caixas-pretas: "Confio nos deputados." Questionado se os diálogos das caixas-pretas são conclusivos, ele disse que não, ressaltando que, se forem considerados os dados unicamente das caixas-pretas, isso pode levar a uma conclusão errada do que houve. Kersul manteve o prazo de dez meses para a divulgação do relatório final. Lembrou que o relatório final "é uma peça burocrática". Para o Cenipa, disse, o que importa são as recomendações que pode emitir durante a investigação. O brigadeiro concluiu dizendo que, se as famílias das vítimas quiserem entender o que se passou no dia 17, o Cenipa é o lugar certo para obterem esses dados, mas, se quiserem utilizar esses dados para um pedido de indenização - "o que não creio que seja o objetivo principal" -, o Cenipa não é o lugar: "Quem estabelece a causa é a investigação policial. O Cenipa aponta apenas fatos que contribuíram e recomendações para evitar que acidentes semelhantes voltem a se repetir."

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