Kassab vai recorrer para manter shopping fechado

Prefeitura argumenta que precisa zelar por quem usa o centro de compras. Multa de R$ 17,4 mil por dia segue sendo aplicada

FELIPE FRAZÃO , CIDA ALVES , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2011 | 03h04

A Prefeitura decidiu recorrer da liminar judicial que manteve o shopping Center Norte aberto - a interdição por risco de explosão estava programada para a manhã de ontem. Apesar da autorização para manter portas abertas, o estabelecimento continua levando a multa diária de R$ 17,4 mil aplicada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

A Cetesb disse que a administração do shopping ainda não instalou os nove drenos necessários para eliminar a concentração de gás metano do subsolo. Em inspeção feita ontem em 18 pontos no piso do centro de compras, sete locais apresentaram risco de explosão. Detectou-se ainda nove com possibilidade de vazamento de gás para o ambiente interno do shopping.

A Procuradoria-Geral do Município (PGM) ainda preparava ontem o embasamento jurídico do recurso a ser protocolado na Justiça. A documentação deve ser entregue na segunda-feira, segundo previsão da PGM.

A Prefeitura argumenta que precisa zelar pela segurança de quem visita ou trabalha no shopping. "Existe um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que determina a realização de investimentos (pela administração) para que o Center Norte possa ter segurança. Portanto, hoje ele não tem segurança", disse o prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Com a justificativa de evitar polêmicas, Kassab recuou de imputar a responsabilidade de um eventual acidente no Center Norte ao juiz Emílio Migliano Neto, da 7.ª Vara da Fazenda Pública. O magistrado foi quem suspendeu anteontem a interdição do shopping por considerá-la medida drástica, excessiva e carente de motivação. No mesmo dia, Kassab dissera que o juiz era quem deveria assumir o risco. Ontem, no entanto, o prefeito se absteve de afirmar quem seria responsabilizado e se limitou a dizer que torce para que não haja acidentes. "Coube a nós fazer a interdição. O Judiciário entendeu que não precisava. Além de respeito, somos obrigados a atender a sua determinação."

Apesar da suspensão da interdição, a rotina do Center Norte está longe de voltar à normalidade. Pela manhã, funcionários foram recepcionados por um protesto do Sindicato dos Comerciários. "Somos contra a decisão da Justiça porque nos preocupa a segurança de 7 mil comerciários. Melhor ficar fechado quatro dias para resolver o problema do que as pessoas trabalharem com medo", explicou o presidente do sindicato, Ricardo Patah.

Os lojistas estimam uma queda de 60% nas vendas na última semana - o sindicato pedirá ao shopping que cubra o prejuízo dos donos de lojas.

Dentro do centro comercial, o assunto é tema em todas as rodas de conversa. Ainda assim, é possível encontrar clientes tranquilos. A comerciante Soane Gil Luís, de 40 anos, esteve na inauguração do Center Norte quando criança. "Aqui havia um lixão, mas não fico neurótica. Se fosse realmente perigoso, já tinha acontecido algo há tempos."

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