Sergio Castro/AE-21/6/2007
Sergio Castro/AE-21/6/2007

Kassab troca leite ''amarelinho'' da campanha e pais reclamam

Mães dizem que novo produto ''é ralo''; empresa nega e promete distribuir cartilha a beneficiários do programa Leve Leite

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2011 | 00h00

A Prefeitura de São Paulo parou de distribuir Leite Ninho para 900 mil alunos da rede municipal de ensino. A distribuição do "leite amarelinho" foi uma das promessas da campanha à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (sem partido). Mães reclamam que o leite enviado desde março pelo governo, o Nutrice, produzido pela Tangará Foods, é "ralo" e não tem a mesma qualidade nutricional do produto anterior. A fabricante nega, diz que os pais podem estar errando no preparo do leite e vai distribuir cartilha com orientações a beneficiários.

Ao oferecer o preço do quilo do leite por R$ 9,39, a Tangará Foods venceu a licitação do Programa Leve Leite. A Nestlé era a outra empresa na disputa, mas seu valor oferecido foi de R$ 11 por quilo. Por lei, o governo municipal tinha de abrir a concorrência. A Secretaria Municipal de Educação também argumenta que o novo leite atende às especificações nutricionais exigidas no edital do programa, assim como a fabricante, que informou que seus produtos são credenciados pelo Ministério de Agricultura e Pecuária e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Mas mães da zona sul que foram na semana passada à Câmara Municipal reclamar da troca lembraram que a distribuição do "leite amarelinho" foi, durante o segundo semestre de 2008, uma das principais promessas do então candidato Kassab (sem partido). O Tribunal Regional Eleitoral chegou até a vetar uso da marca do leite no programa de Kassab durante o horário eleitoral.

"O leite fica ralinho, não tem nem o mesmo cheiro nem o mesmo sabor do Ninho", reclama Vânia Ferreira, de 29 anos, mãe de aluno na creche Doutor Afrânio de Mello Franco, na Cidade Dutra. O leite é distribuído gratuitamente para todos os alunos da rede municipal. Cada mãe de aluno recebe 2 quilos por mês do leite, em sacos de 1 kg - a quantidade foi reduzida em 200 gramas no início de 2009.

Pais dizem que os filhos reclamaram da substituição do leite. "Agora preciso colocar várias colheres para ficar bom. Com o Ninho eu colocava sempre só cinco colheres e o leite ficava bom. Trocaram sem avisar nada", critica a atendente Silvia Roberta Vieira, de 32 anos, mãe de uma aluna Professor Ayrton Arantes Ribeiro, no Jardim São Luís.

Têm direito aos 2 quilos mensais de leite os alunos que frequentam, no mínimo, 90% dos dias letivos da rede municipal. Crianças menores de 1 ano recebem por mês 2 quilos diretamente na creche. Os demais alunos da educação infantil e do ensino fundamental recebem também 2 quilos do produto, enviados pelo correio. "É importante dizer que foi esta gestão, em 2006, que estendeu o programa Leve Leite ao período de férias escolares, cobrindo os 12 meses do ano. Isso só foi possível por causa da economia de 34% na aquisição do leite em pó, em relação à concorrência de 2005", disse a Prefeitura.

DUAS PERGUNTAS PARA...

Mirna Lúcia Gigante, professora da Unicamp

1.As mães têm motivos para se preocupar?

Não há motivo para preocupação. O problema seria se não fosse usado leite integral. Aí poderiam ocorrer diferenças nutricionais.

2. Por que a consistência diferente?

Todo leite em pó passa pelo mesmo processo de secagem. A diferença é como são armazenados os glóbulos de gordura.

CRONOLOGIA

2007

Início da distribuição

Dentro do programa Leve Leite, a Prefeitura começa a distribuir o Leite Ninho, da Nestlé.

2008

Propaganda eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral veta o uso da marca Leite Ninho na propaganda eleitoral de Kassab, então candidato à reeleição. Na TV, um narrador exibia as latas amarelas do leite.

Março de 2009

Redução

A Prefeitura reduz de 1,2 kg para 1 kg os dois sacos de leite distribuídos mensalmente às crianças.

Março de 2010

Troca

Após nova licitação, a Prefeitura troca o Leite Ninho pelo Nutrice, da Tangará.

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