Kassab tenta com propaganda limpar a própria imagem

Análise: José Roberto de Toledo

É COLUNISTA DO ESTADO, JORNALISTA , ESPECIALIZADO EM ESTATÍSTICAS, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2012 | 03h06

O prefeito Gilberto Kassab começou seu último capítulo no cargo com uma das mais baixas avaliações de seu mandato.

A mais recente pesquisa Ibope mostra que ele vai precisar de muita propaganda e muito investimento para limpar sua imagem e não ser um peso para seus aliados políticos na sucessão paulistana.

Quatro em cada dez paulistanos consideram a gestão de Kassab ruim ou péssima, enquanto apenas dois acham que o governo do prefeito é bom ou ótimo. Subtraindo-se as taxas de avaliação positiva da negativa, o prefeito fica devendo 17 pontos porcentuais de popularidade.

Multiplicando seus gastos em publicidade, Kassab tenta repetir 2008, quando se elegeu para o cargo. Naquela disputa, ele saiu de um patamar raquítico de intenção de voto para a vitória em poucos meses. A diferença é que, desta vez, Kassab não terá a propaganda eleitoral a seu favor.

Fazer um governo de avaliação medíocre ou negativa durante a maior parte do mandato e acelerar no final parece ser a fórmula preferida de Kassab.

Isso significa contingenciar investimentos e dosar a propaganda durante a maior parte do tempo para jogar tudo no ano da eleição. É um cálculo estritamente político, que mira mais nos dividendos eleitorais a serem colhidos por quem governa do que no bem-estar permanente dos governados.

Ao gastar pesadamente em propaganda e guardar bilhões para investir na reta final de sua gestão, Kassab confirma que acredita que a última imagem é a que fica. Quer deixar um "legado" propagandístico que lhe permita sobreviver politicamente pelos dois anos sem mandato eletivo que o esperam. Corre o risco de investir no seu canto do cisne.

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