Kassab só cumpre 55,1% das metas, mas diz que 'eficácia' atingiu 81%

Prefeito põe na conta tanto promessas já concluídas quanto as apenas iniciadas, mas garante que deixará SP melhor e com mais recurso

ADRIANA FERRAZ, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2012 | 02h01

O resultado final da Agenda 2012, o programa oficial de metas anunciado pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) em 2009, mostra que apenas 123 dos 223 compromissos assumidos no início da gestão - ou 55,1% do total - foram concluídos nos quatro anos de mandato. Mesmo assim, o prefeito afirma que o "índice de eficácia" chegou a 81%. A taxa engloba as promessas que foram iniciadas, mas não concluídas.

Foi a primeira vez que a capital paulista teve um plano de metas para uma gestão na Prefeitura. A confecção desse plano se tornou obrigação em fevereiro de 2008, quando foi aprovada na Câmara Municipal uma emenda à Lei Orgânica do Município que dá aos novos prefeitos prazo de 3 meses após sua posse para definir as metas a serem atingidas no seu governo.

Problemas burocráticos, questionamentos dos órgãos de controle e dificuldades para se obter as licenças ambientais explicam o não cumprimento de parte das metas por Kassab. Entre as principais promessas não completadas estão a construção de três hospitais, fim do déficit de vagas de creches, obras de drenagem emergenciais e 66 km de corredores de ônibus.

Mesmo essas metas não concluídas, porém, foram usadas para aumentar o índice de eficácia calculado pela atual gestão. Segundo o prefeito, esse índice leva em conta o andamento burocrático das propostas - como projetos contratados, terrenos definidos e licitações lançadas - para mensurar o quanto a cidade caminhou rumo ao objetivo.

Futuro. Ontem, Kassab afirmou que deixa uma cidade "melhor e com mais recursos" para o prefeito eleito Fernando Haddad (PT), que tem até o fim de março para apresentar seu plano de metas.

Nas contas de Kassab, das 223 metas, 123 foram totalmente alcançadas e 45 estão em fase avançada e já trazem benefícios à população. O prefeito disse ser normal que o plano de metas não atinja 100% dos resultados. E comparou a administração da Prefeitura ao orçamento doméstico - no começo do ano as pessoas fazem planos que, depois, precisam ser adaptados ao longo dos meses.

O prefeito termina seu segundo mandato com saldo negativo de 15 pontos porcentuais, segundo pesquisa do Ibope divulgada com exclusividade pelo Estado no domingo. Para 42% dos paulistanos, sua gestão foi ruim ou péssima. Apenas 27% a avaliam como boa ou ótima. O saldo só não foi pior que o da gestão de Celso Pitta (1997-2000), que encerrou com 74 pontos negativos.

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