Kassab sabia de contrato da Prefeitura com prima de secretário de Transportes

Prefeito diz que 'colocaria as mãos no fogo' pela família de Marcelo Branco, mas pede que Corregedoria do Município investigue caso

Débora Bergamasco, Diego Zanchetta, Rodrigo Burgarelli e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2011 | 00h00

O prefeito Gilberto Kassab (sem partido) sabia que a empresa da prima de seu secretário de Transportes, Marcelo Cardinale Branco, mantinha mais de R$ 60 milhões em contratos com a Prefeitura. Foi o que o próprio secretário afirmou ontem à rádio Estadão/ ESPN.

"Em outras oportunidades, eu já falei com o prefeito sobre essa empresa prestar serviço para a Prefeitura", disse, declarando não ver conflito moral ou de interesse no fato de a empresa pertencer a uma prima.

O Estado revelou ontem que a Egypt Engenharia, pertencente a Cíntia Branco e Mário Tadeu Farhat, quase quadruplicou o valor de seus contratos com o governo entre 2006 - ano em que Branco entrou na administração - e 2010. Horas depois da entrevista de Branco, Kassab disse que conhecia os serviços prestados pela empresa e defendeu a continuidade dos contratos. "Eu conheço a empresa, ela presta serviços há vários anos, mas não tenho conhecimento da natureza dos contratos. Sei que é uma empresa que presta serviços."

Kassab disse ainda que colocaria "as mãos no fogo" pela família Branco. Mas afirmou ter pedido à Corregedoria do Município que abra uma investigação sobre os contratos da empresa com a administração.

Aditivos. Sob a gestão de Marcelo Branco na SPTrans, a Prefeitura assinou com a Egypt dois termos aditivos no valor total de R$ 10 milhões. Quando ele era secretário de Infraestrutura Urbana e Obras, a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) fechou contrato de R$ 3,6 milhões com um consórcio do qual a Egypt faz parte.

Mas o maior contrato da empresa da prima de Branco com a Prefeitura foi assinado em 2006, antes de sua entrada no governo. Ela deveria fazer a manutenção de abrigos de ônibus por 12 meses e receberia R$ 7,5 milhões para isso. De lá para cá, o contrato já teve cinco prorrogações - uma delas feita por Branco - e o valor total pulou para R$ 48,9 milhões, com correção monetária.

Para Branco, não há problemas nessas prorrogações, já que a empresa participa e tem contratos com a Prefeitura há quase dez anos. "Esse contrato foi objeto de licitação em 2006, quando eu não estava na Prefeitura, e prevê as prorrogações", emendou. "Os contratos não ficam na minha mão, ficam com os gestores, e eles dizem que a empresa faz um bom trabalho. Eu acho que a empresa tem o direito de participar de licitações, ela não veio para cá pelo fato de eu ser secretário."

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