Kassab reconhece que Prefeitura deve retirar moradores de áreas de risco

Prefeito abordou diversos temas durante entrevista na Rádio 'Estadão/ESPN' nesta sexta-feira

estadão.com.br,

08 Julho 2011 | 10h11

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (sem partido) concedeu entrevista ao programa Estadão no Ar, da Rádio Estadão/ESPN, na manhã desta sexta-feira, 8. Direto de seu gabinete, na sede da Prefeitura, no centro, Kassab respondeu perguntas do jornalista Leandro Modé e também dos ouvintes sobre diversos temas.

 

No início da entrevista o prefeito lamentou o deslizamento de terra na Favela Mata Virgem, na zona sul, e garantiu que a Prefeitura tem feito um trabalho bastante intenso para convencer as famílias a abandonaram as áreas de risco da cidade.

 

Segundo o prefeito, cerca de 422 famílias já haviam sido retiradas do local, mas 78 permaneciam na favela. "Nós tiramos muita gente de lá, só que diversas pessoas apresentaram resistência. Apesar das melhoras significativas, isso já foi pior no começo da gestão, vocês não tem ideia", disse.

 

Ainda de acordo com Kassab, a remoção de famílias de áreas de risco é um trabalho feito a longo prazo e que tem melhorado significantemente. "No início, como mencionei, a situação era complicada. Nós não convencíamos ninguém, nós não tínhamos apoio do Ministério Público e apoio da imprensa. Tudo isso nos dá muito força para continuar nossa caminhada. Vamos ser cada vez mais rigorosos porque este é nosso dever", concluiu o prefeito.

 

Obras na Avenida Roberto Marinho. Questionado sobre a continuação das obras, o prefeito disse que a obra ajudará na qualidade de vida dos moradores da região. "Essa obra vai melhorar a qualidade de vida das pessoas que moram em favelas, cortiços e em condições precárias. Quando a reconstrução começar, em agosto, a Prefeitura fornecerá abrigo para todos os moradores. Eles receberão, portanto, um aluguel social e terão onde morar.É preciso enxergar o lado social desta obra", relatou.

 

De acordo com Kassab, a obra também vai desafogar o trânsito no sentido litoral. "Além da urbanização, a construção do túnel, que vai ligar a zona sul ao Sistema Anchieta-Imigrantes, com isso haverá melhorias consideráveis na Avenida dos Bandeirantes", acredita.

 

Transporte. O prefeito foi questionado por uma ouvinte sobre o valor da passagem de ônibus na capital. Kassab afirmou que não há possibilidade do valor diminuir. Atualmente, o usuário paga R$ 3.

 

"É lógico que é caro. Agora, se você pegar todas as cidades vizinhas de São Paulo, tarifas são R$ 2,90, R$ 2,80, R$ 3 para uma única viagem. Aqui em São Paulo nós podemos fazer quatro viagens a R$ 3. Portanto eu não vou dizer que a passagem é barata porque qualquer passagem é cara. Mas comparando com as outras cidades é a tarifa mais barata", concluiu.

 

Creches. Kassab também falou do aumento de vagas em creches da capital paulista. Segundo ele, o número foi duplicado. "Nós mais do que dobramos o numero de vagas em creches na metrópole. Tínhamos aproximadamente 60 mil vagas no início do mandato. Hoje nós temos 150 mil. É claro que há muito a ser feito, mas a ideia é aumentar, principalmente depois do novo projeto de concessão, aprovado pela Câmera Municipal. Ele vai acelerar o processo e mais creches serão construídas", diss

 

Itaquerão. O prefeito também falou sobre o veto ao artigo do Projeto de Lei que condiciona a isenção fiscal para a estádio do Corinthians, em Itaquera, na zona leste, à garantia de que o local receberá a partida de abertura da Copa do Mundo de 2014. O artigo foi incluído no projeto pela Câmara Municipal, que aprovou o pacote em segunda votação na semana passada. O projeto concede até R$ 420 milhões em isenção ao Corinthians - valor que pode atingir R$ 536 milhões com correções -, para serem investidos no Itaquerão.

 

"Independente da Copa do Mundo, aliás, antes mesmo do Brasil ter sido escolhido como sede da Copa do Mundo, nós já tínhamos para a região, para a zona leste uma lei de incentivo e, independente da Copa do Mundo, a construção do estádio do Corinthians nessa região trará desenvolvimento, trará recursos para São Paulo, trará receita, perfeitamente, portanto, justificável esse incentivo", ponderou Kassab.

 

Questionado sobre a possibilidade de conceder isenção fiscal para outros clubes, como o Palmeiras, que irá reformar o Parque Antártica, Kassab foi categórico ao afirmar que o projeto não será estendido. "Não. São coisas distintas. Na questão específica do estádio do Corinthians, o que está em questão é uma lei de incentivo para uma região que já tinha essa lei".

 

Vida pública. "Depois de quase oito anos a frente da Prefeitura de São Paulo eu efetivamente quero e tenho o sonho de sair daqui com a certeza de um bom trabalho realizado. E vou continuar na vida pública, eu gosto da vida pública, e sem a ansiedade e sem expectativa de qualquer cargo porque os cargos são em função de circunstâncias. O importante é que eu tenho uma missão, seja para cuidar de creche, seja para construir creche, seja para apoiar alguma organização social, seja para estar ao lado de algumas administração pública dando o meu apoio a minha ajuda contribuindo com a minha experiência".

 

Sobre a criação do Partido Social Democrático (PSD), Kassab classificou o partido como independente, pois a legenda não é da base aliada e nem de oposição do governo federal.

 

"O PSD hoje já é uma realidade. Já temos 40 deputados federais que participaram já de duas reuniões, uma primeira reunião com a minha presença e uma segunda reunião onde já escolheram o seu líder, o deputado Guilheme Campos, e com conversas e entendimentos com outros parlamentares que poderão formar a legenda. É um partido que ao se constituir está recebendo parlamentares que estiveram ou estão na base de apoio da presidente Dilma, portanto pedimos a compreensão deles até para que tenham a sua coerência vão continuar integrando a sua base e outros que vieram de um diferente processo e portanto não se sentem confortáveis para participar da base da presidenta Dilma, mas estão na condição de independentes e com isso vão poder julgar os projetos do governo e votar de acordo com aqueles que batem que se identificam com suas convicções e seus ideais."

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