Kassab quer laudo ''antitombamento'' para área do Itaim

Prefeitura pede ao DPH estudo de quarteirão para levar ao Condephaat. Ideia é contrapor material apresentado por moradores

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2011 | 00h00

A Prefeitura de São Paulo encomendou ao Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) do Município um laudo técnico sobre o quarteirão cultural do Itaim-Bibi para se contrapor àquele que provocou, em abril, a abertura do processo de tombamento da área no Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). O pedido de tombamento é a grande barreira para o plano da Prefeitura de vender o terreno à iniciativa privada.

A ideia da gestão Gilberto Kassab (sem partido) é apresentar o laudo em uma reunião do Condephaat ainda neste mês, acompanhado de um projeto detalhado dos planos para o terreno. Na semana passada, visitaram o quarteirão uma arquiteta e Walter Pires, diretor do DPH e vice-presidente do Conpresp, conselho municipal de preservação do patrimônio.

Embora o laudo ainda não tenha sido concluído, os técnicos da Prefeitura já sinalizaram que o trabalho vai ser diferente do laudo que pediu o tombamento. A arquiteta que foi ao local afirmou a colegas que os equipamentos públicos instalados no quarteirão foram "descaracterizados" ao longo do tempo com várias reformas, o que inviabilizaria um tombamento.

É a mesma opinião do secretário municipal do Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Marcos Cintra. "Acredito que não haja nenhum valor arquitetônico ali para o tombamento. Se houver, vou aplaudir", diz ele, que relaciona o tombamento a uma reação ao plano da Prefeitura. "Aquele imóvel nunca foi objeto de interesses desse tipo. Não tenho dúvida de que isso (o pedido de tombamento) apareceu como mecanismo de defesa."

Patrimônio. O laudo apresentado pelos moradores ao Condephaat apresentou características do quarteirão que destacam valores culturais, históricos e arquitetônicos da área.

Segundo o documento, o quarteirão do Itaim abrigou a residência da família Couto de Magalhães, fundadora do bairro, e o prédio onde hoje está a creche tem esquadrias originais da casa da família, com um entorno de palmeiras imperiais da época.

A Biblioteca Anne Frank, instalada em um prédio recém-reformado, foi a primeira biblioteca de bairro da cidade e foi construída no quarteirão a pedido do escritor Monteiro Lobato, que teria ajudado a escolher o local. "Esse conjunto do quarteirão, com escola, biblioteca e área de recreação, faz parte de um conceito de escola-parque de Anísio Teixeira (precursor do modelo de educação em tempo integral)", diz a arquiteta Vanessa Kraml, autora do laudo apresentado pelos moradores.

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