Kassab pressionou base para conseguir aprovação do IPTU

Prefeito ameaçou retirar cargos e liberou verba para emendas para conseguir, mas aceitou mudanças

Diego Zanchetta e Felipe Grandin, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2009 | 11h48

A aprovação do aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) mostrou o controle do prefeito Gilberto Kassab (DEM) sobre a Câmara Municipal. Foi o 41º projeto do Executivo chancelado pelos vereadores neste ano. Além da bancada do PT, só foram contra Jamil Murad (PC do B), Celso Jatene (PTB), Gabriel Chalita (PSB) e Cláudio Prado (PDT). Netinho de Paula (PCdoB) se ausentou.

 

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Kassab manteve uma média de apoio de 40 vereadores neste ano, até em projetos polêmicos, como o das concessões urbanísticas e da restrição aos ônibus fretados. Na primeira votação do IPTU, no entanto, houve 36 votos favoráveis. Kassab decidiu então "enquadrar" os parlamentares. "Quem votar contra está fora", disse um integrante da base. Além de ameaçar com a perda de cargos na administração, o governo liberou nos últimos 20 dias R$ 30 milhões em emendas.

 

Apesar do apoio, vereadores governistas com mais de uma década de Legislativo não deixaram de alertar secretários de governo de que estavam recebendo na rua e nos gabinetes manifestações de repúdio ao aumento, vindas principalmente do eleitorado da classe média, o que poderia ameaçar o futuro político do prefeito. "Minha caixa postal ficou lotada de e-mails", afirmou Adilson Amadeu (PTB).

 

Martaxa X Taxab

 

Entre Kassab e secretários, o caso da ex-prefeita Marta Suplicy (2001-2004) chegou a ser discutido por diversas vezes e pesou na alteração dos tetos. A petista aumentou o IPTU logo no seu primeiro ano, criou em seguida as taxas do lixo e dos anúncios e acabou perdendo as duas últimas eleições que disputou - ganhando ainda o apelido de "Martaxa". Petistas, aliás, passaram a chamar o prefeito de "Taxab" nas comissões.

 

Governistas ainda observaram ao prefeito que a aprovação do projeto sem alterações transformaria os vereadores em alvo das críticas. Entidades que apoiaram a reeleição de Kassab, como o sindicato da habitação (Secovi) e a Associação Comercial, também manifestaram insatisfação com a pressão feita pelo governo para a aprovação sem mudanças.

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