Kassab manda afastar todos envolvidos na 'máfia dos fiscais'

Em comunicado, prefeito de São Paulo disse que os renponsáveis devem 'ser punidos exemplarmente'

da Redação, estadao.com.br

11 de julho de 2008 | 16h06

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, determinou nesta sexta-feira, 11, o afastamento de todos os envolvidos na chamada nova Máfia dos Fiscais. As investigações que desencadearam a Operação Rapa foram feitas por cinco meses pela Unidade de Inteligência Policial (UIP), vinculada ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), junto com o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil.   Veja também:  Funcionários de Subprefeitura lideravam 'máfia de fiscais' Polícia prende 11 e diz ter desarticulado nova 'Máfia dos Fiscais'    Até o início desta tarde, foram presas 11 das 13 pessoas que integravam duas quadrilhas que extorquiam dinheiro de vendedores ambulantes irregulares na região do Brás, popular centro de vendas de roupas na zona leste da capital. Em comunicado, o prefeito elogiou a investigação e colocou a prefeitura "à disposição para que todos os fatos sejam inteiramente esclarecidos e os responsáveis punidos exemplarmente".   Tudo começou em fevereiro, quando dois ambulantes da região do Brás procuraram o Ministério Público, com o objetivo de denunciar as extorsões. Segundo o MP, cada um dos 7 mil marreteiros do Brás pagam aos fiscais quantias que vão até R$ 20, por semana.   Dois funcionários da Subprefeitura da Mooca - o fiscal Edson Alves Mosquera e o assessor político da Subprefeitura, Marcelo Eivazian - seriam os 'cabeças' das duas frentes de achaque feitas aos vendedores ambulantes irregulares no Brás. Além deles, foram presos outros fiscais, ambulantes e um advogado.   Máfia dos Fiscais   A operação acontece oito anos depois de uma máfia composta por fiscais da prefeitura de São Paulo ter sido escancarada, no escândalo de arrecadação de propina que ficou conhecido como 'Máfia dos Fiscais' e marcou a gestão de Celso Pitta na Prefeitura de São Paulo. Em abril deste ano, o advogado e ex-vereador José Izar, um dos expoentes da chamada Máfia dos Fiscais, foi condenado a oito anos de prisão por concussão (extorsão praticada por funcionário público).   As investigações começaram em dezembro de 1998, com a prisão do engenheiro Marco Antônio Zeppini, fiscal da Administração Regional de Pinheiros, que tentou extorquir dinheiro da dona de uma academia. Zeppini foi condenado a cinco anos de prisão e já cumpriu a pena. Foram denunciadas mais de 600 pessoas nos vários processos da máfia, superando números da Operação Mãos Limpas, da Itália.   Cerca de 1,5 mil testemunhas foram ouvidas, e outros 30 processos seguem em andamento, envolvendo quase todas as administrações regionais da época. A Máfia dos Fiscais, segundo o Ministério Público, teria arrecadado R$ 436 milhões de comerciantes e ambulantes paulistanos. Em 1998, Viscome e José Izar choraram, em depoimento na Câmara e na polícia.   (Com informações de O Estado de S.Paulo)

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