Márcio Fernandes/AE
Márcio Fernandes/AE

Kassab e Serra se contradizem sobre enchentes em São Paulo

Prefeito nega falhas nas bombas de água das Marginais, apontado por governador como causa de alagamentos

Ana Conceição, Agência Estado

09 de dezembro de 2009 | 18h04

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o governador do Estado, José Serra (PSDB), entraram em contradição nesta quarta-feira, 9, ao explicarem os motivos do alagamento das marginais do Tietê e do Pinheiros durante as fortes chuvas de ontem. Em evento de inauguração do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), em Heliópolis, o prefeito Kassab afirmou categoricamente não ter havido falhas no sistema de bombeamento de água das Marginais, o que foi confirmado por Serra.

 

Segundo Kassab, a informação de que teriam ocorrido problemas partiram de pessoas que querem opor o governo estadual ao municipal. "Não houve falha de bomba. As pessoas querem fazer intriga, mas Estado e município trabalham em conjunto", disse.

 

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Mais tarde, após a inauguração do empreendimento, o governador Serra confirmou ter havido problemas no sistema de bombeamento da Usina de Traição, no Rio Pinheiros. "Realmente o equipamento não funcionou na hora em que foi acionado. Mesmo que tivesse funcionado, sem dúvida haveria enchentes por causa do grande volume de chuvas", explicou.

 

O problema de drenagem das águas da chuva também foi confirmado pela secretária estadual de Saneamento e Energia de São Paulo, Dilma Pena. Ela explicou que na Usina de Traição ocorreu um defeito em uma peça chamada pistão, que aciona o combustível para o funcionamento da bomba. Isso fez com que o sistema hidráulico que move o equipamento não funcionasse. "O problema está sendo reparado e, na próxima semana, a bomba estará em operação", assegurou.

 

De acordo com a secretária, se a bomba tivesse funcionando, ainda assim haveria transbordamento do rio na região da Cidade Universitária. Quanto à Ponte das Bandeiras, na Marginal do Tietê, Dilma explicou que o muro de arrimo que protege a pista da Marginal contra a passagem de água, cedeu, mas esse problema já foi resolvido.

 

A secretária negou que o cronograma de construção de piscinões - sistemas que retêm a água da chuva - esteja atrasado. Dos 134 previstos no projeto inicial, apenas 45 foram concluídos. "Não é fácil encontrar áreas disponíveis para instalar os piscinões dentro da região metropolitana, mas a implantação deles está dentro do curso normal", minimizou.

 

SEM CAOS

 

Apesar de criticado, o prefeito Kassab voltou a afirmar que não houve caos após as chuvas de ontem e que cidade vive "um bom momento" em seu sistema de planejamento de drenagem. "O que tivemos foi uma chuva intensa, localizada, e o transbordamento do Rio Tietê. Não foi o caos porque duas horas depois a cidade estava voltando à sua rotina."

 

O prefeito creditou o alagamento das marginais ao excesso de chuva e ainda disse que o plano de emergência para situações de enchente funcionou a contento. Questionado sobre a redução dos investimentos contra enchentes na cidade, Kassab negou que tenha havido queda de recursos.

 

"O que a imprensa mostrou é a comparação dos investimentos com o orçamento. Há projetos com maturação mais longa." Ambos, prefeito e governador, argumentaram que as obras estão resolvendo os problemas. "Alguns locais responderam bem ao volume de chuva por causa dos investimentos", disse Kassab, referindo-se aos córregos Aricanduva e Pirajuçara. Já Serra afirmou que nunca antes foram feitos tantos investimentos no Estado nessa área. "Nunca se investiu tanto contra enchentes em São Paulo", afirmou.

 

RESPOSTA

 

À noite, a assessoria de imprensa da Prefeitura de São Paulo divulgou nota afirmando que não houve contradição entre declarações de Kassab e Serra a respeito do funcionamento do sistema de bombeamento das Marginais.

De acordo com a nota, o prefeito referiu-se hoje, especificamente, ao sistema da Ponte das Bandeiras, localizada na Marginal Tietê, ao afirmar que não houve falhas de bombeamento. O governador, por sua vez, falava de problemas do sistema da Usina Elevatória de Traição, na Marginal Pinheiros. "São assuntos distintos", afirma o comunicado.

 

Texto atualizado às 20h58.

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