Kassab diz que será 'implacável', mas Liga adia punição

Entidade diz que vai esperar polícia concluir inquérito para definir o que fará; escolas envolvidas podem até ser banidas do carnaval

O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2012 | 03h06

Um dia após a confusão na apuração do carnaval no sambódromo do Anhembi, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), informou ontem que a Prefeitura assumirá completamente a segurança da apuração e do evento. A medida já vale para o desfile das campeãs, a partir das 22 horas de amanhã. Kassab disse que a administração será "implacável" com as escolas cujos diretores estiverem envolvidos no episódio de anteontem. A Liga Independente das Escolas de Samba, porém, só vai punir as agremiações daqui a duas semanas, quando o inquérito policial for concluído. A medida mais drástica pode ser o banimento de agremiações.

A Liga era a responsável pela segurança. "É evidente que existem falhas, principalmente na questão da segurança. Já determinei à SPTuris que convoque a Liga em breve para que sejam determinadas alterações na questão da segurança do carnaval", disse. O prefeito afirmou que os detalhes técnicos de como a Prefeitura atuará para evitar novos incidentes ainda não foram definidos, mas o plano pode incluir um convênio com a Polícia Militar ou com a Guarda Civil.

A apuração também terá novo formato. "O local da apuração será definido pela Prefeitura, com a segurança da Prefeitura", disse Kassab. O evento deve ser realizado "em recinto, muito provavelmente dentro do próprio sambódromo". O presidente da SPTuris, Marcelo Rehder, afirmou que as torcidas podem passar a ser credenciadas para entrar na apuração, mas ele admitiu que o ideal seria que o evento fosse realizado apenas com diretorias das escolas e comissões técnicas.

Citando sempre os recursos públicos envolvidos no carnaval, cerca de R$ 23,5 milhões, o prefeito defendeu punições às escolas envolvidas na baderna e disse que pode até romper com a Liga caso isso não seja feito. "Jamais vamos tolerar a convivência com uma escola caso seja identificado que esse incidente tenha ligação com algum dirigente", disse o prefeito.

Segundo Kassab, é preciso esperar a apuração final da polícia, no entanto, para saber se a ação foi orquestrada. "Não é justo penalizar a escola por uma ação de uma pessoa, mesmo que seja dirigente", afirmou ele.

O presidente da Liga, Paulo Sérgio Ferreira, disse que não é possível definir as punições nesse momento. "É como infração de trânsito. Há níveis de faltas: média, grave ou gravíssima. Não queremos aplicar agora uma pena referente à falta média, por exemplo, porque pode ser que o quadro mude ao final do inquérito." As penas variam de advertência, multa e suspensão a banimento da escola, na pior das hipóteses.

A decisão deverá passar pelo Conselho de Ética e pelo Conselho Deliberativo da Liga. As comissões são eleitas pelos 22 associados da entidade, na mesma ocasião em que é escolhida a diretoria executiva.

Ferreira disse desconhecer o fato de o presidente da Vai-Vai, Darly Silva, o Neguitão, ter incitado a confusão, mas afirmou que, se algum presidente ou membro de diretoria tiver contribuído para o incidente, ele será punido. Ferreira disse que a ideia é marcar uma reunião com os presidentes dos dois conselhos ainda hoje.

Verba. De acordo com a SPTuris, no contrato atual com a Liga, há previsão de suspensão da verba da escola por até dois anos no caso de infrações graves. O presidente da Liga afirmou que a verba municipal representa 40% dos recursos de uma escola de samba do Grupo Especial. "Isso sem falar na iniciativa privada. Vamos ter de começar um retrabalho de conquista de patrocínios, depois da imagem ruim que o incidente deixou", disse Ferreira.

Sobre as divergências entre os integrantes da Liga que se reuniram na noite de terça-feira para votar se deveria valer o resultado apurado até a invasão de Tiago Faria e a destruição das últimas duas notas do quesito Comissão de Frente, Ferreira disse tratar-se de um caso isolado e descartou a possibilidade de haver novo racha dentro da Liga. "Sabemos o mal que foi esse racha no passado. Não há mais essa ideia aqui dentro", disse. Até o ano passado, o carnaval paulista era organizado por duas entidades: a Super Liga e a Liga-SP. / ARTUR RODRIGUES e CAMILA BRUNELLI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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