Kassab diz que quer ser garagista da Câmara

Prefeito fez a brincadeira ao comentar a divulgação dos salários de servidores, que chegam a ser maiores do que o do presidente da Casa

ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2012 | 06h40

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) disse ontem que quer ser garagista da Câmara Municipal depois que seu mandato terminar, no fim deste ano. A brincadeira se refere à reportagem exclusiva publicada ontem pelo 'Estado' sobre os altos salários pagos a funcionários do Legislativo paulistano. Entre eles está o de R$ 11.431,45, para um empregado da garagem. O valor é mais alto que a remuneração do próprio presidente da Casa, José Police Neto (PSD), que recebe R$ 9.288,05.

"Acho que já arrumei meu emprego, hein? Quando eu deixar a Prefeitura", brincou o prefeito. Depois, falando sério, Kassab elogiou a atitude da Câmara de publicar na internet o salário dos servidores e afirmou que não opinaria sobre os salários dos servidores para não cometer "injustiças".

"A Câmara adotou corretamente a postura de divulgar os seus gastos, seja com salário, sejam outros gastos", disse o prefeito. "Portanto, com o tempo, as coisas se acomodam. Com o tempo, se forem identificadas irregularidades, serão corrigidas."

Valores. Os salários de técnicos, auxiliares, assistentes e garagistas, cargos que não exigem curso superior, podem chegar a R$ 24 mil por mês. Os valores acima dos de mercado são viabilizados por aumentos automáticos e gratificações para funcionários concursados. A lista com as remunerações foi divulgada no portal da Câmara (www.camara.sp.gov.br). É a primeira vez que uma Casa Legislativa adota uma medida como essa no Brasil.

Segundo especialistas ouvidos pelo Estado, mudanças nesse tipo de legislação demoram para ocorrer por causa da influência dos funcionários da Câmara no processo legislativo. "Quem elabora os planos de carreira, de cargos e salários, são os próprios funcionários. Você tem uma autoproteção que acaba causando esse tipo de distorção. Decisões como essa deveriam passar por escrutínio público", afirma o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas.

Segundo ele, esse tipo de corporativismo ocorre também em outras cidades brasileiras.

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