Kassab diz que pode demolir prédio que encurta pista

Segundo pilotos, o edifício de 47 andares obriga que os pilotos a descer em uma angulação diferente

Naiana Oscar, Jornal da Tarde

23 de julho de 2007 | 21h25

A Força Aérea Brasileira (FAB) garante que o hotel do empresário Oscar Maroni Filho, dono do Clube Bahamas, localizado a 600 metros em linha reta do Aeroporto de Congonhas, não interfere no tráfego aéreo da pista principal. Segundo a assessoria de imprensa da FAB, as declarações de pilotos de que o prédio de 47 metros, por ser muito alto, reduz a distância de pouso da pista estão equivocadas.   De acordo com a Carta de Aeródromo de Congonhas, a pista de 1.940 metros de extensão pode ter uma distância efetiva de pouso de no mínimo 1.810 metros. Portanto, o fato dos pilotos terem de aterrissar numa angulação diferente e tocar a pista 130 metros à frente de seu início por conta do prédio não seria um procedimento inseguro.   Segundo pilotos, o edifício de 47 andares obriga que os pilotos tenham de descer em Congonhas numa angulação diferente, o que faz a aeronave tocar a pista 130 metros depois do seu início - isso prejudicaria os pousos na pista principal de Congonhas, porque tornaria a pista ainda mais curta que os já insuficientes 1,9 mil metros.   O prefeito Gilberto Kassab declarou, nesta segunda-feira, 23, durante o programa Roda Viva, na TV Cultura, que os técnicos da Prefeitura estão avaliando as circunstâncias em que o empreendimento obteve autorização. "Se constatarmos algum equívoco nesse procedimento vamos demolir o prédio", disse Kassab. "Estarei a frente dessa ação."   Segundo o prefeito, a autorização para o início das obras não partiu da Prefeitura, mas apenas da Aeronáutica, que avaliou a altura do edifício e não viu comprometimento nas operações do aeroporto. "Se é verdade que o hotel deixou a pista mais curta, acho estranho que o proprietário tenha obtido autorização", disse o prefeito.   O dono do empreendimento, Oscar  Maroni Filho, diz que não há irregularidades na obra. Em 2000, quando o hotel começou a ser construído, ele obteve autorização tanto da aeronáutica quanto da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de São Paulo, com a ressalva de que o prédio fosse sinalizado com luzes de baixa intensidade no topo.   "Se estão falando em demolir porque não impediram a construção do hotel antes?", disse Maroni. "Se a Prefeitura tomar essa atitude terá de me indenizar." O empresário diz ter investido mais de 30 milhões de dólares hotel, que começaria a funcionar em quatro meses, com mais de 200 apartamentos e diárias em torno de 400 dólares.   A primeira solicitação do empresário foi indeferida pela Aeronáutica porque o projeto inicial previa a construção de um flat. A autorização foi negada porque se tratava de prédio residencial e sua construção contrariava a lei de zoneamento. O projeto foi alterado e o início das obras do hotel, autorizado.

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