Valéria Gonçalvez/AE
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Kassab critica Marta e nega falta de investimento na limpeza

Prefeito voltou a afirmar que São Paulo está preparada para enfrentar as chuvas e defende obras na marginal

Mônica Cardoso, O Estado de S. Paulo,

09 de setembro de 2009 | 13h07

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) negou, mais uma vez, nesta quarta-feira, 9, que falta investimento na limpeza urbana de São Paulo. Kassab criticou a gestão anterior, de Marta Suplicy (PT), afirmando que foi na gestão Marta que faltou investimento na limpeza da cidade. "A ex-prefeita gastou R$ 590 milhões no seu ultimo ano com o lixo. No ano passado, nos gastamos R$ 903 milhões. Só falta alguém achar que é pouco", disse o prefeito na manhã desta quarta, um dia depois de a cidade enfrentar o caos por causa dos alagamentos provocados pelo temporal da terça-feira, 8.

 

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"Se a imprensa ou a população achar que temos que gastar mais, é um direito. As empresas vão gostar de receber essa notícia. Acho R$ 903 milhões adequado e mais do que suficiente para as empresas prestarem um serviço compatível com o nosso orçamento", afirmou o prefeito. Os R$ 903 mihões investidos no setor envolvem coleta domiciliar, industrial e varrição das ruas.

 

Kassab também voltou a afirmar que São Paulo está preparada para enfrentar as chuvas. "Nossas ações preventivas são compatíveis com a nossa realidade orçamentária". Entre as ações preventivas apontadas pelo prefeito está a construção de parques e praças, que ajudam na drenagem e evitam novos alagamentos.

 

Obras na marginal

 

Questionado se as obras de ampliação da Marginal do Tietê vão provocar mais alagamentos na cidade - já que com a construção de novas pistas, haverá menos área verde para drenas as águas das chuvas -, Kassab discordou. "Basta conhecermos o projeto para ver a proporção de área que está sendo permeabilizada em função da obra. É uma obra importante do ponto de vista viário e positiva para a cidade", disse.

 

Depois do temporal da terça, que provocou o transborde dos rios Tietê e Pinheiros, especialistas questionaram a perda de áreas permeáveis que podem absorver água e diminuir a vazão das chuvas em direção aos mananciais. As obras de ampliação da Marginal do Tietê vão resultar numa "perda líquida" de 18,9 hectares de área permeável, o equivalente a 19 campos de futebol iguais ao do Morumbi. A previsão do Conselho Municipal do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (Cades) consta no parecer da obra elaborado pelo órgão.

Entrevista

 

Em entrevista ao SPTV, da Rede Globo, o prefeito negou que o contingenciamento de 20% do orçamento de varrição possa ser o responsável pelo agravamento dos danos causados pela forte chuva que atingiu a cidade. Para ele, não há mais lixo nas ruas em função desse corte de recursos. "Só falta alguém dizer que temos de investir mais. O valor de R$ 903 milhões é mais do que adequado para uma cidade que tem orçamento de R$ 25 bilhões e inúmeras outras prioridades", disse.

 

"Investimos o suficiente e temos que cobrar que as empresas de coleta trabalhem corretamente. Se for comprovado que as empresas não estão atuando bem haverá punições", afirmou. Para Kassab, o excesso de lixo que acabou sendo carregado pelas enchentes na terça-feira ocorreu num dia atípico, já que não é comum chover em setembro. Segundo ele, durante o verão,quando as chuvas são esperadas, a população é orientada a só colocar o lixo na rua momentos antes da coleta, o que não ocorreu desta vez.

 

O prefeito insistiu que não há quantidade excessiva de lixo nas ruas. Para ele, a cidade tem duas situações, que estão sob controle: o lixo coletados pelas empresas responsáveis e 1.500 pontos ilegais de descarte de lixo. "Fora disso, a situação é ilegal e a Secretaria das Subprefeituras fiscaliza", disse.

 

Sobre os deslizamentos de terra em áreas de risco que causaram mortes na zona leste da cidade, Kassab disse que a Prefeitura está investindo R$ 1 bilhão nessas áreas e em moradia popular.

 

Texto ampliado às 13h19 para acréscimo de informações.

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