Kassab chama categoria para negociar restrições

Prefeitura marca café da manhã para resolver impasse; sindicatos estudam ações judiciais contra as medidas

O Estado de S.Paulo

06 Março 2012 | 03h05

Com a iminência de uma crise de desabastecimento de combustíveis e outros produtos na cidade, a Prefeitura de São Paulo procurou ontem o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado (Setcesp) e outras entidades representantes de caminhoneiros para negociar. Um café da manhã foi marcado para depois de amanhã. O Sindicam, responsável pelo bloqueio aos centros de distribuição de combustível ontem, não havia sido convidado, até a noite, para participar do evento.

Empresas de transporte chegaram a estudar medidas judiciais para tentar barrar a restrição ontem, dois dias depois da publicação da portaria que regulamentou as multas. Mas, por enquanto, o sindicato do setor recomendou que os associados aguardem o resultado das negociações.

Ontem de manhã, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) afirmou que poderia "aperfeiçoar" a restrição de caminhões na Marginal, caso fosse necessário, mas ressaltou que não acreditava que haveria mudança no horário da proibição de circulação.

Questionado sobre a interrupção do transporte de combustíveis promovido pelos sindicalistas, Kassab disse que acredita no "espírito público" da categoria. "Nos primeiros dias há uma certa desorganização", disse. Para Kassab, no primeiro dia da proibição pode ter havido desconhecimento da regra por parte de alguns caminhoneiros. "Muito possivelmente, alguns não se lembravam, pararam no lugar errado", afirmou.

O prefeito voltou a apontar a construção do Rodoanel, cujos Trechos Leste e Norte ainda não estão prontos, como justificativa para a restrição. A SPMar, empresa que administra o Trecho Sul do Rodoanel, disse que só teria hoje dados sobre o eventual aumento no volume de carretas na via ontem.

Reações. Outras entidades se mostram contrárias à restrição. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) disse, em nota, que acompanha o início da restrição na cidade e mantém seu posicionamento contrário à mudança.

"A entidade acredita que a solução para os problemas do trânsito na cidade de São Paulo não se dará por meio dessa medida, mas por investimentos maciços em infraestrutura", disse o texto da Fiesp. "Portanto, a entidade defende soluções definitivas e não paliativas para solucionar problemas do trânsito em São Paulo", continua a nota.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-SP) disse que "acompanha preocupada a interrupção de atividades promovida pelos caminhoneiros autônomos" e afirmou que "espera que o governo municipal e as lideranças da categoria cheguem a um acordo ainda nas próximas horas", segundo nota divulgada ontem à tarde. A entidade também criticou a falta de infraestrutura para o transporte na cidade. /ARTUR RODRIGUES e B.R.

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