Kassab aumenta verba para o lixo em 20%

Com apoio do PT, previsão recorde de R$ 1,88 bi a empresas de coleta e varrição está no orçamento de 2013

O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h04

Três anos após ameaçar romper contratos do lixo e culpar empresas do setor pelas enchentes, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) deixará para Fernando Haddad (PT) a tarefa de aumentar em 20%, de uma só vez, o valor repassado pelo serviço. Para 2013, Kassab reservou verba recorde de R$ 1,88 bilhão para empresas de coleta e varrição - o custo neste ano será de R$ 1,55 bilhão.

O aumento de 20% para 2013 veio à tona ontem, após o orçamento ser levado a discussão na Câmara Municipal. A primeira votação será concluída hoje.

O futuro governo do PT defende o aumento e diz que a redução de 17,31% no valor do contrato, feito em 2009 por Kassab, atrasou o avanço da coleta seletiva, a criação de cooperativas de catadores e a coleta porta a porta. Em 2009, a atual gestão reduziu o repasse mensal para empresas da limpeza de R$ 50,8 milhões para R$ 42 milhões. Antes, em 2005, o então prefeito José Serra (PSDB) já havia diminuído a verba dos contratos, assinados em 2004 pela prefeita Marta Suplicy (PT). As empresas creditam à revisão dos contratos o pouco crescimento da coleta seletiva - hoje apenas 1% das 17 mil toneladas de detritos é reaproveitado - o governo diz que a abrangência chega a 7%.

Os contratos da coleta, de R$ 20 bilhões pelo período de duas décadas, são os maiores da cidade. Já a varrição tem contrato feito no ano passado, de R$ 2,1 bilhões por três anos, e embutiu à limpeza de calçadas o trabalho de retirada de entulho das ruas.

"Como pode o governo aumentar tanto a verba de um contrato que ele mesmo questionou durante todos esses anos?", perguntou Floriano Pesaro (PSDB). O presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, Milton Leite (DEM), afirmou que vai convocar alguém da Secretaria Municipal de Planejamento para explicar o aumento. "Não há justificativa para um setor ter aumento de 20% de uma só vez. O PIB de 2013 não deve chegar nem a 4%, por que as empresas do lixo vão ter reajuste cinco vezes maior?" Mas Francisco Chagas (PT), da mesma Comissão de Finanças, acha que o crescimento da verba pode ajudar o novo governo a alcançar o índice 30% de coleta seletiva, previsto para 2014. / D.Z.

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