Kassab anuncia 'arsenal' antienchente

Sem fazer todas as obras estruturais prometidas, prefeito apresenta caminhão, bomba e três motolinks para enfrentar os alagamentos

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2011 | 03h03

Sem ter executado as principais obras antienchente previstas no orçamento municipal, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), apresentou ontem seu "arsenal" contra alagamentos para o próximo verão: um caminhão limpa- bueiro, uma bomba de drenagem móvel e três motolinks. Kassab ainda prometeu entregar, em 30 dias, mais cinco caminhões e reforçar a limpeza das galerias pluviais.

A meta é que cada uma das 31 subprefeituras tenha um conjunto com motolink - que envia imagens de pontos alagados para a Central de Zeladoria, por meio de câmera na carenagem -, caminhão limpa-bueiro e bomba de drenagem. O prefeito, porém, não deu prazo para atingi-la.

Das novas ferramentas contra alagamentos, duas foram importadas da Europa: o caminhão veio da Itália e a bomba, da Holanda. As empresas brasileiras Trajeto e Obracon adaptaram as tecnologias para aplicação nas ruas de São Paulo. As companhias foram contratadas por apenas três meses - menos do que os cinco meses e meio do Plano Preventivo de Chuvas de Verão. Mas a Prefeitura já informou que vai renovar pelo menos o contrato dos caminhões limpa-bueiro - ao custo de R$ 85 mil mensais por oito horas ao dia - para que a limpeza seja ininterrupta.

Em ações emergenciais, as imagens enviadas online pelos motolinks possibilitam que uma bomba possa ser deslocada ao local. Ela suga até 430 m³ de água retida em uma poça gigante. O único equipamento de prevenção para a microdrenagem - galerias subterrâneas de águas pluviais - é o caminhão limpa-bueiro, que já está em fase de teste.

A carroceria do caminhão é comum, mas sua caçamba suporta uma engenhoca com tanque de água de reúso e filtros para separação e decantação do material retirado das bocas de lobo. Segundo a Trajeto, o veículo tem autonomia para operar por oito horas diárias. Segundo o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, o equipamento economiza água ao reutilizar a que sai de dentro das galerias. Por isso, dispensa os gastos com caminhões-pipa, usados atualmente. O sistema funciona assim: um mastro com uma câmera na ponta é colocado dentro do bueiro para que os operadores analisem os dejetos que impedem o escoamento da água de chuva. Depois, dois tubos - um mais largo e outro com jato frontal - são colocados na galeria. O primeiro aspira sedimentos e água acumulada, enquanto o segundo espirra o jato - com a mesma água sugada.

O jato, porém, não tem capacidade para vencer barreiras de concreto que se formam dentro das galerias pelo despejo irregular. O tubo tampouco suga pedras e pedaços de madeira grandes ou mesmo garrafas pet - um dos principais tipos de lixo jogados nas ruas. Na prática, o equipamento é eficiente contra lodo, lama e pequenas pedras, além de folhas e lixo como copos plásticos e papéis.

Os equipamentos apresentados integram a estratégia municipal para mitigar 42 pontos críticos de alagamentos monitorados pela Central de Zeladoria. Entre eles, a Rua Turiaçu, na Pompeia, as pistas das Marginais do Tietê e do Pinheiros, além do Túnel do Anhangabaú, no centro. Entre as intervenções, a Prefeitura alargou o leito dos piscinões e aumentou a capacidade de retenção de água dos piscinões Aricanduva 3, na zona leste, e Bananal, na norte. Mas a gestão reconhece que somente obras de infraestrutura resolvem o problema dos alagamentos.

De olho. Kassab defendeu ontem que a execução dos serviços de limpeza das galerias de águas pluviais seja publicada na internet para que a sociedade possa monitorar o cumprimento do serviço contratado.

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