'Juventude começa a achar que pode construir um País melhor'

Três perguntas para Vladimir Palmeira, líder estudantil em 1968

O Estado de S.Paulo

21 Junho 2013 | 02h11

Em 26 de junho de 1968, o centro do Rio foi tomado por manifestantes, no ato que se tornou um símbolo da resistência à ditadura - a Passeata dos 100 mil. À frente da multidão estava o estudante Vladimir Palmeira, que liderou o protesto sem violência. Economista e professor, Palmeira conversou com o Estado.

Que avaliação o senhor faz das manifestações? Como vê o fato de não existir uma liderança clara como havia no período de combate à ditadura militar? É altamente positivo o que está ocorrendo. Uma parcela importante da população quer influenciar os destinos do País. Mas há, sim, lideranças. O Movimento Passe Livre puxou essas manifestações. O que não há é um conjunto orgânico como havia no movimento estudantil, que tinha uma estrutura sindical.

Nas passeatas, há uma intenção clara de demonstrar que o movimento é apartidário. Por quê? Há uma crise de representação - partidos, sindicatos e diretórios estudantis não estão conseguindo representar parte da população. É natural que o movimento se declare apartidário porque os partidos estão afastados do cotidiano.

O senhor vê alguma semelhança entre esse movimento e o de 1968? Não. A não ser que este também é um movimento de massa, gente na rua fazendo política não institucional - o que é extremamente positivo, sobretudo a juventude começar a achar que pode construir um País melhor. Eles não têm estrutura intermediária, como os sindicatos. Para continuar, terão de criar uma estrutura. Não me pergunte como.

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