JB Neto/Estadão
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Justificativas de quem é pego na Lei Seca incluem até antisséptico bucal

Argumentos de motoristas que foram flagrados após beber e dirigir são variados e, em muitos casos, inusitados

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2016 | 06h00

Vítima de trote, efeito de remédios, desconfiança com o bafômetro ou até mesmo vergonha de soprar o equipamento. Os argumentos de motoristas que foram flagrados após beber e dirigir ou que se negaram a fazer o teste de alcoolemia são dos mais variados. E, em muitos casos, inusitados. Na maioria das vezes, no entanto, eles não dão resultado, pois 97,5% dos recurso acabam negados nas Jaris.

Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, um homem de 39 anos se declarou inocente depois de ser flagrado no bafômetro. Segundo afirmou, ele havia optado por bebidas sem álcool, mas os amigos com quem estava lhe pregaram uma peça. “Puseram cerveja com álcool na minha latinha”, diz o recurso. O argumento não foi aceito.

Outro pedido indeferido foi de um homem de 25 anos, que recusou a fazer o teste na capital. No recurso, o motorista relata que havia saído de um culto evangélico e foi parado na rua da igreja. Ele disse aos policiais que “preferia fazer o exame de sangue”. “Poderiam me ver naquela situação e isso me causaria um enorme constrangimento perante meus ‘irmãos’ e meu pastor”, escreveu. No pedido de anulação da multa, o homem afirmou que não bebeu. “Minha religião não permite.”

O Detran diz que o uso de antisséptico bucal está entre os argumentos mais comuns. Há também quem justifique o resultado do bafômetro por causa do consumo de doces. “Eu me lembrei que comi três ou quatro bombons de licor, em seguida escovei os dentes e fiz bochecho com Listerine (antisséptico)”, relatou um motorista de 31 anos, morador de Rio Claro, no interior. “Quem sabe isso pode ter influenciado no resultado?”, questionou. “Não me fora oferecido nenhum pedido de contraprova, muito menos água para beber. Sendo assim, peço que perdoem minha multa.” Não perdoaram.

Em caso de multa, o motorista pode entrar com recurso pelo site do Detran, na seção “Solicitar e acompanhar recurso de penalidade”, sem precisar ir a uma unidade de trânsito. Também é possível acompanhar a análise online.

SP terá Jari só para julgar cassação de CNH de motorista

No próximo mês, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) vai instalar a primeira Junta Administrativa de Recursos de Infrações (Jari) para julgar exclusivamente recursos relacionados a processos de cassação de carteiras de motorista em São Paulo. O órgão será composto por um presidente e outros dois membros, que serão responsáveis por analisar os casos. 

Dessa forma, as Jaris de alcoolemia ficam apenas com os recursos sobre multas e suspensões de CNH. “A Jari da cassação vai ter o mesmo intuito: de dar cada vez mais celeridade aos processos e melhorar a qualidade dos recursos”, afirma Maxwell Vieira, diretor de Habilitação do Detran. “Nós vamos punir quem está com a habilitação suspensa e, mesmo assim, continua conduzindo seu veículo”, afirma ele.

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