EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO
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Justiça manda Roger Abdelmassih de volta à prisão

O ex-médico havia obtido a progressão de regime para o domiciliar por causa de uma doença cardíaca grave

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2017 | 19h21

SÃO PAULO - O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu o benefício de prisão domiciliar concedido ao ex-médico Roger Abdelmassih, de 73 anos. A Justiça acatou um mandado de segurança do Ministério Público Estadual em Taubaté para que ele, condenado por 48 estupros contra 37 mulheres, volte a cumprir pena no presídio de Tremembé. 

O benefício de cumprir o restante da pena em casa havia sido dado no dia 21. A nova decisão é do desembargador José Raul Gavião de Almeida, da 6.ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça paulista. Na sentença, ele disse que “há notícia de que médicos internados no presídio relataram que Roger Abdelmassih deixou propositalmente de medicar-se, a tornar duvidosa a criação de situação ensejadora de seu afastamento do cárcere”.

O ex-médico havia obtido a progressão de regime para o domiciliar por causa de uma doença cardíaca grave. “Há nos autos perícia médica”, acrescentou Almeida, “cuja conclusão é a de que o sentenciado é portador de doença coronariana grave com recomendação de tratamento clínico (não havendo indicação da impossibilidade desse tratamento ser realizado no sistema prisional, que conta com hospital, inclusive).”

Ao liberar o ex-médico para a prisão domiciliar, a juíza Sueli Zeraik Armani, da Justiça de Taubaté, no interior de São Paulo, havia entendido que ele tinha doenças severas, passíveis de agravamento no regime carcerário. Na mesma sentença, negou o pedido da defesa de concessão do indulto humanitário – o perdão judicial foi pedido pela doença do condenado. 

Nos últimos dias, o ex-médico cumpria pena em seu apartamento, em um condomínio em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, com tornozeleira eletrônica. O apartamento do ex-médico foi alugado por sua mulher, a ex-procuradora federal Larissa Sacco, após a prisão de Abdelmassih, no Paraguai, em agosto de 2014. Antes, ele vinha cumprindo pena na Penitenciária 2, de Tremembé, no interior paulista.

Em publicação nas redes sociais na noite desta sexta noite, Vanuzia Leite Lopes, criadora da associação de vítimas de Abdelmassih, comemorou a nova decisão. “Ele voltou para a cadeia e as vítimas voltam para sua vida normal. Feliz e livre de novo com o monstro estuprador Roger Abdelmassih voltando para a cadeia”, escreveu. 

O Estado não conseguiu contato com o advogado de Abdelmassih na noite desta sexta. 

Estupros. Especialista em reprodução humana, Roger Abdelmassih chegou a ser condenado em 2010 a 278 anos de reclusão por 48 crimes de estupro contra 37 pacientes, entre 1995 e 2008. Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, porém, permitiu que recorresse da sentença em liberdade. Apesar da revisão posterior da sentença para 181 anos de prisão, por lei só ficará preso por até 30 anos. 

Inicialmente, foram registrados 26 casos de pacientes que acusavam Abdelmassih de estupro. Os relatos das vítimas diziam que os abusos aconteciam durante as consultas na clínica de fertilização do ex-médico. 

Em 2011, com a decretação de sua prisão, foi considerado foragido. Três anos depois, acabou preso pela Polícia Federal em Assunção, no Paraguai. / COLABOROU JULIA MARQUES

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