Justiça quer confirmar se policiais de SP achacaram Abadía

Depoimento de comparsas de megatraficante reforça tese de que colombiano pagou US$ 1 mi a policiais

Rodrigo Pereira, Estadão

03 de outubro de 2007 | 09h56

A Justiça Federal espera confirmar nesta quarta-feira, 3, indícios de que o megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, preso na Grande São Paulo e um dos líderes do tráfico internacional de drogas, tenha sofrido achaque de policiais que integravam o Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), unidade da Polícia Civil de São Paulo. Abadía presta depoimento nesta quarta, na 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Preso em 7 de agosto e levado para o presídio federal de segurança máxima de Campo Grande (MS), Abadía responde no Brasil pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, uso de documento falso e corrupção ativa. Um reforçado esquema de segurança foi montado para trazer o traficante a São Paulo. Novos depoimentos dos comparsas do megatraficante reforçaram as suspeitas de achaque. Uma das acusações aponta a exigência de US$ 1 milhão para os policiais soltarem a mulher de Abadía em São Paulo. Segundo os depoimentos, ela teria sido levada ao Denarc para "averiguações" e liberada após o acerto do montante. Denunciada por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, ela é apontada como o elo de Abadía no Brasil - morou na Colômbia e firmou amizade com ele lá.  Um dos policiais investigados é o delegado Pedro Pórrio. "É uma acusação que não procede. Se alguém (policial) fez isso, não fui eu. Às vezes, as pessoas fazem as coisas e jogam no colo de outra", defendeu-se. "Eu nunca investiguei esse homem (Abadía), porque meu desejo era poder pegá-lo", concluiu Pórrio, em entrevista concedida na sede da 5ª Delegacia Seccional, na zona leste. A Secretaria da Segurança Pública confirmou que há um inquérito na Corregedoria da Polícia Civil que apura as acusações e informou que na segunda-feira o delegado-corregedor Fernando Costa Azevedo viaja para Campo Grande, com a finalidade de colher depoimento de Abadia. Na terça-feira, ele faz oitivas com integrantes do esquema presos em São Paulo.  Extradição A documentação do pedido de extradição do governo dos Estados Unidos já está no Supremo Tribunal Federal. O ministro Eros Grau é o relator do processo. Normalmente, uma ação desta leva até dois anos para ser julgada. A defesa de Abadía, no entanto, espera e torce para que o pedido seja julgado até o fim do ano.  O Ministério Público calcula que Abadia tenha trazido ao Brasil cerca de US$ 9 milhões, dinheiro que se presume produto do tráfico de drogas. No Brasil, o colombiano investiu principalmente em imóveis. Ele teria propriedades em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Seria dono também de uma lancha, sete carros e duas motos. Sua fortuna no exterior, entretanto, é incalculável. Ele seria o titular de cerca de 20 empresas e teria mais de 300 imóveis na Colômbia e nos Estados Unidos. Na Colômbia ele seria dono, também, de uma Universidade e de um parque. (Com informações da Revista Consultor Jurídico)

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