Justiça quebra sigilo de presidente da Mangueira

Pedido foi feito pelo Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, que investiga Ivo Meirelles pelo crime de associação com o tráfico de drogas

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h02

A 39.ª Vara Criminal do Rio aceitou ontem o pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro para quebrar o sigilo bancário de seis contas correntes de Ivo Meirelles, presidente da Mangueira, e de 54 contas em nome da escola de samba. O período que será investigado é entre abril de 2009 - um mês antes da posse dele no cargo - até dezembro de 2012.

Em outubro de 2011, Meirelles foi indiciado em inquérito da 17.ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão) pelo crime de associação para o tráfico de drogas no Morro da Mangueira, zona norte.

O inquérito foi instaurado em março daquele ano, após denúncia anônima ao MP a de que Meirelles teria sido imposto na presidência da Mangueira pelos traficantes Alexander Mendes da Silva, o Polegar, que está preso, e Vinicius de Lima Pereira, o Chevette. Em troca, Meirelles pagaria R$ 150 mil mensais ao tráfico - o dinheiro seria desviado da escola de samba. Em depoimento, Meirelles admitiu que conhece os acusados desde a infância, já que foram criados na favela.

O Ministério Público Federal no Rio investiga ainda indícios de irregularidade na suposta liberação de R$ 4,9 milhões do Ministério da Cultura (MinC) para o desfile da Mangueira em 2012.

O inquérito da 17.ª DP diz que interceptações telefônicas captaram uma conversa, em novembro de 2011, na qual Meirelles faz alusão a uma possível fraude na aprovação de incentivo fiscal via Lei Rouanet para a escola. O interlocutor do músico era o deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMDB). Meirelles disse que um alto servidor do ministério teria recebido propina para regularizar a situação da Mangueira, impedida de receber verbas por não prestar contas de projetos de incentivo anteriores. Segundo o MP-RJ, o MinC liberou R$ 4,9 milhões à escola em janeiro de 2012.

A assessoria de Chiquinho afirmou que o deputado não se manifestaria. A reportagem não conseguiu contato com Meirelles. O MinC negou que tenha liberado a verba.

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