Justiça proíbe entrada de detentos em presídio por causa de surto de sarna

Epidemia no CDP de Taubaté atinge mais de 85% dos 2.100 detentos; doença se prolifera em locais de má higiene

O Estado de S. Paulo

20 Março 2014 | 18h25

SÃO PAULO - A Justiça proibiu o ingresso de novos presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Taubaté, no interior de São Paulo, até a erradicação do surto de sarna que afeta o local. O pedido foi feito pela Defensoria Pública de São Paulo. Segundo relatório da Vigilância Epidemiológica, a epidemia atinge 85,72% dos quase 2.100 detentos, muitos com feridas infeccionadas.

Visitas ao presídio feitas pela juíza Corregedora dos Presídios local, Sueli Zeraik de Oliveira Armani, que tomou a decisão, e por membros do Conselho da Comunidade e da Vigilância Epidemiológica Municipal detectaram a existência do surto desde novembro do ano passado. Também foi constatada falta de atendimento médico, agravada pelo calor, superlotação e falta de água.

A decisão prevê multa de um salário mínimo em caso de descumprimento e determina providências para garantir o abastecimento de água contínuo e de qualidade.

A sarna - nome popular para escabiose - é uma doença de pele causada por ácaro, que produz lesões na pele. É altamente contagiosa e se prolifera mais facilmente em locais de má higiene.

Crise nos presídios. A greve dos agentes penitenciários também afeta a entrada de novos detentos nos presídios do Estado de São Paulo. Os agentes ameaçam abandonar os presídios e a Tropa de Choque da Polícia Militar tenta garantir a entrada de detentos nas unidades.

Nesta quinta-feira, 20, O presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp), Daniel Grandolfo, alertou para o risco de rebeliões nos presídios em que a Tropa de Choque da Polícia Militar entrou para cumprir a transferência de presos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.