Justiça mantém a demissão de 61 funcionários do Metrô

Sindicato dos Metroviários ainda pretende reverter as demissões; greve atingiu mais de 2 milhões de usuários

Camilla Rigi, do Estadão,

13 de agosto de 2007 | 14h39

Os metroviários de São Paulo sofreram nova derrota no Tribunal Regional de Trabalho nesta segunda-feira, 13. A juíza Cátia Lungov, relatora do dissídio de greve dos metroviários, não viu relação entre a demissão de 61 funcionários do Metrô com o fato de o TRT ter considerado abusiva a greve dos metroviários, na semana passada.   A reunião desta segunda-feira, 13, foi solicitada ao TRT-SP pelo Sindicato dos Metroviários, em virtude da decisão do Metrô de demitir 61 empregados passados três dias do julgamento do Dissídio Coletivo pelo TRT-SP que considerou abusiva a greve dos metroviários.   Segundo o sindicato, a decisão do Metrô "intranquilizou a categoria profissional, inclusive pela possibilidade de ampliação do rol de desligados pelo que requer a revisão da medida". Em sua defesa, os representantes do Metrô alegaram que essas demissões "decorreram de atividade normal da empresa exercendo o regular poder diretivo que lhe é atribuído e que não guarda relação com a greve ocorrida o que certamente foi interpretação equivocada da imprensa".   O representante do Ministério Público do Trabalho da 2ª Região na audiência do TRT, procurador Sidnei Alves Teixeira, considerou que julgamento do dissídio de greve pelo Tribunal alcançou seu objetivo com o retorno dos metroviários ao trabalho.  Para ele, as demissões dos 61 empregados pela empresa, "ocorreram do poder diretivo da empresa".   Os representantes do Metrô garantiram à juíza Cátia Lungov que não há mais qualquer intenção ou medida de demissão em número representativo, "senão aquelas decorrentes do gerenciamento normal da empresa e que o que se pretende é a retomada dos trabalhos de modo regular".   Metrô e metroviários confirmaram durante a audiência no TRT a retomada das negociações dos critérios de apuração e pagamento da Participação nos Lucros e Resultados da empresa aos trabalhadores. O principal ponto de divergência ainda é a linearidade da distribuição da parcela. Os metroviários defendem o pagamento de um valor igual para todos os empregados, independente dos cargos que ocupem. Os representantes do Metrô se comprometeram a analisar a proposta.   O presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Flávio Godoi, afirma que o sindicato ainda pretende reverter a decisão. "Vamos estudar maneiras de conseguir reverter isso. Se não é possível reverter todas, pelo menos algumas", disse o sindicalista logo depois da reunião.   No dia 6 de agosto, o Metrô anunciou a demissão de 61 funcionários que participaram da greve de dois dias, que paralisou o sistema parcialmente e prejudicou 2,4 milhões de pessoas por dia. Oficialmente, o motivo das demissões foi uma avaliação semestral, feita na companhia, na qual os metroviários devem alcançar metas. Os demitidos vinham apresentando, segundo o Metrô, desempenho muito inferior ao esperado desde janeiro. No entanto, a companhia confirmou que os 61 metroviários participaram da paralisação.

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