Justiça manda soltar suspeito de chefiar nova máfia dos fiscais

Estima-se que o esquema composto por 13 pessoas tenha arrecadado quase R$ 16 milhões em 15 meses

Solange Spigliatti, estadao.com.br

23 de julho de 2008 | 08h31

A Justiça de São Paulo concedeu habeas corpus para o chefe da fiscalização da subprefeitura da Mooca, Felipe Eivazian, preso desde o dia 11 de julho por suspeita de envolvimento na máfia dos fiscais. O esquema cobrava propina de ambulantes ilegais que trabalham na região do Brás, na zona leste da Capital. O suspeito está preso no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, de onde deve sair nesta quarta-feira, 23. Outro suspeito, o advogado Leandro Giannazi, foi solto no dia 17.  A assessoria da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) não soube informar qual será o horário da saída do chefe da fiscalização da subprefeitura. O ex-chefe da Unidade de Fiscalização da Subprefeitura da Mooca Felipe Eivazian foi apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como elo entre os dois grupos que extorquiam dinheiro de ambulantes do Brás, no Centro.A conclusão consta da denúncia oferecida ontem à 22ª Vara Criminal da capital por promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Estima-se que o esquema composto por pelo menos 13 pessoas - entre elas cinco funcionários públicos - tenha arrecadado quase R$ 16 milhões em 15 meses. Os cálculos foram feitos com base nos valores semanais exigidos dos camelôs. Dos cerca de 7 mil ambulantes que trabalham na região do Largo da Concórdia, a quadrilha exigia entre R$ 10 e R$ 20, totalizando R$ 560 mil por mês. Outros R$ 500 mil mensais vinham da extorsão contra os 500 vendedores de alimentos da região. Para trabalhar, eles eram obrigados a pagar até R$ 1 mil. Na avaliação do promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Gaeco, as quadrilhas nunca foram 'concorrentes'. 'Essa relação entre elas ficou nítida na investigação, principalmente porque os fiscais envolvidos eram subordinados ao Felipe (Eivazian)', afirmou. As 13 pessoas acusadas de participar do esquema foram denunciadas por formação de quadrilha e concussão (crimes praticado por funcionário público contra a administração). (Colabora Bruno Tavares, de O Estado de S. Paulo)

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