Justiça manda prender PMs acusados de executar Juan

Perícia derrubou versão de que houve confronto; cabos e soldados deram pelo menos 30 disparos [br]durante ação em favela

Pedro Dantas / RIO,

21 Julho 2011 | 01h09

A Justiça decretou ontem a prisão temporária, por 30 dias, dos quatro policiais militares suspeitos de envolvimento na morte do menino Juan, de 11 anos, em Nova Iguaçu. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense concluiu que, no dia 20 de junho, o estudante foi executado pelos sargentos Isaías Souza do Carmo e Ubirani Soares e pelos cabos Edilberto Barros do Nascimento e Rubens da Silva em operação forjada - na qual não houve troca de tiros com criminosos - na Favela Danon.

Os mandados de prisão foram expedidos pelo juiz Márcio Alexandre Pacheco da Silva, do 4.º Tribunal do Júri de Nova Iguaçu. O Ministério Público do Rio acusa os PMs de dois homicídios duplamente qualificados, duas tentativas de homicídio e ocultação de cadáver. A perícia da Polícia Civil derrubou a versão de tiroteio dos sargentos e dos cabos. Além das mortes de Juan e de Igor de Souza Afonso, de 17 anos, eles vão responder pela tentativa de matar o irmão do estudante, de 14, e um vendedor, de 19 anos. Baleados, ambos estão em um programa estadual de proteção de testemunhas.

"Todos os tiros foram de fuzil. Testemunhas disseram ter ouvido rajadas. Isso comprova que não houve disparo de qualquer outra arma", disse Ricardo Barboza, titular da Delegacia de Homicídios da Baixada. O diretor de Polícia Técnica e Científica, Sérgio Henriques, revelou que não foram encontrados indícios de disparos por parte de criminosos. Segundo ele, as cinco cápsulas deflagradas na cena do crime eram de fuzil 7.62, o mesmo calibre usado pelos PMs, que dispararam pelo menos 30 vezes.

O advogado dos policiais, Edson Ferreira, disse que não comentaria o caso nem se pronunciaria sobre o resultado da perícia. Os quatro acusados negam a participação na morte de Juan. No registro de ocorrência, os PMs apresentaram drogas e uma arma com quatro cápsulas intactas, que seriam dos baleados.

Os quatro envolvidos já participaram de 36 autos de resistência (mortes de criminosos em confronto com policiais). O Ministério Público ainda pediu ontem a prisão preventiva de um dos acusados, o cabo Nascimento, por outra execução. Ele já participou de 13 autos de resistência e também responderá com outros três policiais pelo assassinato do ex-presidiário Júlio César Andrade Roberto, em 2008. "Testemunhas relatam que familiares de Júlio Cesar foram agredidos e impedidos de prestar socorro ao parente", disse a promotora Júlia Costa Silva Jardim.

Memória. A investigação do caso Juan começou com o atraso da perícia, feita uma semana depois do desaparecimento da criança. Dez dias depois, uma ossada foi encontrada no Rio Brotas, a 2 km do local do crime. Mas a perita Marilene Campos de Lima atestou que era de uma menina. Após um exame constatar que os restos mortais eram de Juan, o responsável pelo caso, o delegado Cláudio Nascimento, foi afastado das investigações.

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