Justiça manda libertar 3 PMs do grupo dos highlanders

Três dos quatro policiais militares acusados de matar o deficiente mental Antonio Carlos da Silva, o Carlinhos, de 31 anos, em outubro de 2008, foram postos em liberdade no dia 9. Eles fazem parte do grupo conhecido como highlanders, policiais suspeitos de decapitar as vítimas, como no filme de 1986, e estavam detidos no Presídio Militar Romão Gomes desde fevereiro de 2009.

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2012 | 03h08

Anderson dos Santos Salles, Joaquim Aleixo Neto e Moisés Alves dos Santos foram condenados em julho de 2010, em Itapecerica da Serra, a 18 anos e 8 meses de prisão pela morte de Carlinhos. Mas o júri foi anulado em outubro do ano passado pela 10.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.

A decisão foi tomada porque o promotor Vitor Petri contrariou uma determinação do juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, de que não fosse exibida uma camiseta onde se lia "deficiente mental é morto por PMs da Força Tática". O representante do Ministério Público Estadual fez a exibição durante a réplica. Procurado ontem, Petri não se manifestou.

Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, Hristov recebeu há 15 dias um pedido de revogação da prisão preventiva dos acusados por "excesso de prazo". Não haveria como marcar um novo júri ainda em 2012, o que, segundo a defesa, faria os réus permanecerem presos preventivamente por mais de quatro anos. "Foi uma decisão justa, porque os réus são primários e têm bons antecedentes. A deslealdade partiu do promotor, que exibiu a camiseta e provocou a anulação do júri. Eles (acusados) não poderiam ser punidos por isso", disse o advogado de defesa dos policiais, Celso Vendramini.

Além dos três suspeitos que ganharam a liberdade na semana passada, Rodolfo da Silva Vieira também foi réu no júri de julho de 2010. Ele permanecerá preso por ter sido condenado anteriormente pela morte de outra vítima dos highlanders.

Todos os acusados faziam parte do 37.º Batalhão da Polícia Militar, no Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Ao lado de outros cinco policiais, são suspeitos da morte de pelo menos 12 pessoas. As execuções seriam, segundo os inquéritos, uma forma de impor o terror na região.

Receio. A decisão trouxe medo e decepção à família de Carlinhos em relação à Justiça. "Agora eles estão na rua e nos sentimos ameaçados", disse a dona de casa Vânia Lúcia da Silva Alves, de 29 anos, irmã do rapaz assassinado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.