Justiça determina bloqueio online de conta da Trip&Fun

Empresa deixou de honrar 1,2 mil pacotes de viagens e alega crise causada por gripe suína, vulcão, meningite e dólar

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2012 | 03h02

A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio online de R$ 25,4 mil da conta da Trip&Fun, empresa que lesou 1,2 mil adolescentes com pacotes de formatura já pagos para Cancún, no México, e fechou as portas em seguida, sem devolver o dinheiro dos clientes ou remarcar as viagens.

A liminar é a primeira ordem judicial no caso Trip&Fun desde o dia 2, quando um voo fretado que levaria 46 estudantes para Cancún foi cancelado. Depois disso, a empresa deixou de honrar todo e qualquer contrato - havia clientes com pacotes comprados para a Disney e Bariloche, e outros que ainda pagavam parcelas para viajar em dezembro e janeiro. O preço médio dos pacotes era de R$ 5 mil.

A ação indenizatória por danos morais e materiais que resultou na liminar foi impetrada em favor de um grupo de seis adolescentes de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, que tinham viagem para Cancún marcada para o dia 5. No despacho, o juiz da 3.ª Vara Cível do Foro Regional de Santana concede a liminar para "assegurar o resultado de eventual condenação", considerando "a verossimilhança das alegações, a provável falência da ré e o perigo de que a sentença seja ineficaz". O valor total da ação é de R$ 164, 3 mil - os R$ 25,4 mil bloqueados somam apenas a quantia já paga pelos pais.

Gripe suína. A Trip&Fun ainda não declarou falência oficialmente, mas todos os escritórios em São Paulo estão fechados. Uma nota enviada ontem à imprensa esclarece pela primeira vez a crise financeira da agência.

A empresa diz que passa por dificuldades desde 2009, quando teve de reembolsar diversos passageiros por causa da epidemia de gripe suína. "Já em 2011, todas as viagens para Bariloche foram canceladas em função das cinzas do vulcão chileno Puyehue, o que mais uma vez resultou em prejuízo financeiro".

A Trip & Fun diz que voltou a ter prejuízo no mesmo ano, dessa vez com passageiros com viagens para a Costa do Sauípe, onde uma epidemia de meningite cancelou a ida de clientes a 15 dias do embarque. Por fim, a alta do dólar no começo do ano é usada como justificativa para que a empresa não honrasse a viagem de 1,2 mil clientes. "E com a ampla divulgação de um problema pontual, que foi o adiamento da viagem para Cancún de 30 passageiros, em 2 de julho, muitos clientes sustaram seus cheques, o que agravou a situação."

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