Justiça destitui síndica do Baronesa de Arary

Moradores contestam eleição no maior condomínio residencial da Paulista; Meiri diz que sentença se refere a 2005

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2010 | 00h00

O maior residencial da Avenida Paulista, o Baronesa de Arary, vive mais um impasse. No mês passado, uma ação judicial determinou que a síndica deixasse o cargo por irregularidades. Meiri Luci Adriano não saiu. Defende-se dizendo que a sentença se refere à anulação de uma assembleia de 2005 e afirma que, no ano passado, foi reeleita. Já um grupo de moradores alega que Meiri tem de sair por se tratar de decisão recente da Justiça.

O advogado e marido da síndica, Sérgio Tulio de Almeida Rocha, garante que a sentença está "sem pé nem cabeça" e entrou com um embargo de declaração ? solicitação de esclarecimentos. "A juíza fala que as contas não foram aprovadas, mas as contas foram aprovadas. Quero que tudo isso seja respondido." Até agora, segundo ele, não há decisão oficial.

Pela sentença, da juíza Celina Dietrichi e Trigueiros, da 15.ª Vara Cível Central, Meiri teria de ser afastada "definitivamente" do cargo de síndica, autorizando novas eleições em 15 dias com convocação de uma nova assembleia. Entre os argumentos da juíza destaca-se que Meiri teria negociado unidades com recebimento de comissão e até mesmo instalado uma imobiliária nas dependências do prédio. Também estaria locando vagas de garagem ilegalmente.

Há 11 anos no prédio, o morador Humberto Soares de Souza, de 45 anos, conta que Meiri hostiliza moradores que são contrários a suas decisões. O condômino entrou com pedido de anulação da última eleição, em novembro de 2009. "Em assembleias feitas no prédio, ela (síndica) fala que tem procurações de moradores, mas não mostra."

Para outro morador, Jurandir Rodrigues, de 41 anos, Meiri deveria ter deixado o cargo. "Ela nem aqui mora", disse. "Pretendemos fazer outra assembleia para eleger novo síndico, mas estávamos esperando a sentença ser publicada no Diário Oficial.

"Nós temos aqui 3.500 pessoas residindo no edifício. Esse grupo de seis pessoas é que faz o trabalho de oposição. Desde 2005 todas as eleições são feitas dentro das regras, mas eles invariavelmente entram com ações de anulação de assembleia", disse a síndica.

Morada de artistas. Construído nos anos 1950, o edifício foi palco de conturbadas relações entre condôminos e batalhas internas pelo poder ? os bastidores viraram tema de livro. Na década de 1960, foi a morada de artistas e intelectuais. Ficaram famosos os saraus feitos na cobertura do casal de atores Walmor Chagas e Cacilda Becker.

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