Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Justiça decreta prisão preventiva de advogados envolvidos com PCC

54 pessoas são suspeitas de participação num esquema de favorecimento à facção criminosa

Sandro Villar e José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2016 | 17h40

SOROCABA - A Justiça Criminal de Presidente Venceslau, no oeste paulista, decretou nesta quinta-feira, 1º, as prisões preventivas de 54 pessoas suspeitas de participação num esquema de favorecimento à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em troca de pagamentos. Entre os investigados na Operação Ethos estão 40 advogados, suspeitos de atuarem como elo entre presos e integrantes externos da facção. Todos estavam em regime de prisão temporária e, com a decretação da preventiva, passam a ficar presos por período indeterminado. Cinco advogados suspeitos, e com prisão decretada, ainda estão foragidos.

A decisão atendeu a pedido da força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo que investiga o esquema. Entre os investigados estão 14 presos que já cumprem pena no sistema prisional, entre eles o principal líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, preso na Penitenciária 2, de Presidente Venceslau. De acordo com o delegado da Polícia Civil, Everson Contelli, Marcola concebeu e era o operador do esquema que cooptava advogados para servirem aos propósitos do PCC. "A pena que ele já cumpre pode ser aumentada e agravada, mesmo ele já estando preso", disse.

Os pedidos de prisão preventivas foram feitos no inquérito que apura o esquema, encaminhado nesta quinta-feira à Justiça. A investigação já soma 41 volumes, totalizando 8.200 páginas. A operação foi deflagrada há dez dias.

Conforme o delegado, todos os envolvidos já foram ouvidos e a maioria acabou confirmando as suspeitas da polícia. Ainda segundo o delegado, alguns advogados compunham uma espécie de "departamento jurídico" do PCC, numa célula chamada "sintonia dos gravatas" e chegavam a receber salários de até R$ 100 mil da organização criminosa. "Os advogados eram verdadeiros funcionários do PCC e recebiam salários altos. O advogado ganhava em média R$ 9 mil por mês, mas alguns recebiam R$ 20 mil, R$ 30 mil e até R$ 100 mil", disse.

Segundo ele, os advogados que recebiam o maiores valores não cuidavam apenas da parte jurídica, providenciando inclusive atendimento médico para membros da organização e seus familiares. As investigações que culminaram com a operação tiveram início há um ano e meio, quando uma varredura de rotina localizou uma carta de um integrante do PCC que fazia menção a um dos advogados. O teor da carta indicava que o profissional estava a serviço de integrantes do PCC e seria elo de comunicação com o pessoal externo da facção. 

Os suspeitos são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção, entre outros delitos. A força-tarefa investiga a suposta participação de policiais e outros agentes públicos no esquema. Os advogados estão presos na Penitenciária 1 de Presidente Venceslau. Duas advogadas foram levadas para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. 

 

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