Justiça decreta prisão de 5 acusados de linchamento de dona de casa no Guarujá

Se condenados por homicídio triplamente qualificado, eles poderão pegar até 30 anos de reclusão.

Zuleide de Barros, Especial para O Estado

06 de junho de 2014 | 18h49

GUARUJÁ - O juiz da 1.ª Vara Criminal do Guarujá, Leonardo Grecco, acatou o pedido do Ministério Público e da Polícia Civil e decretou a prisão preventiva dos cinco homens acusados de participação ativa no linchamento da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, morta em 5 de maio, após ser violentamente espancada por dezenas de moradores da comunidade de Morrinhos, onde morava. Os cinco acusados foram denunciados por homicídio triplamente qualificado e, se condenados, poderão cumprir pena de até 30 anos de reclusão.

Dessa forma, Valmir Barbosa, Lucas Rogério Fabrício Lopes, Carlos Alex Oliveira de Jesus, Abel Vieira Batalha Júnior e Jair Batista dos Santos, que foram reconhecidos nas imagens feitas pelos celulares dos próprios moradores como os protagonistas da ação criminosa, vão continuar detidos na cadeia anexa ao 1.º Distrito Policial do Guarujá.

A morte da dona de casa chocou o país. Ela foi agredida pelos moradores do bairro onde morava, ao ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças, que teve o seu retrato falado postado em uma página do Facebook. De acordo com a página, denominada Guarujá Alerta, as crianças estariam sendo sequestradas para rituais de magia negra.

Visita à igreja. O fato vinha intrigando a população, mas, até o dia do crime, a Polícia não havia recebido nenhuma denúncia de sequestro em toda a região. Quando voltava para casa, na tarde de 3 de maio, um sábado, depois de ter ido à igreja buscar uma Bíblia que havia esquecido, Fabiane foi seguida por populares que gritavam: "É ela, é ela, a sequestradora de crianças".

Naquele momento, ela começou a ser espancada e arrastada pela multidão, até seu corpo ser lançado no mangue. Resgatada por policiais militares, a dona de casa foi encaminhada ao Hospital Santo Amaro, onde morreu dois dias depois, vítima de traumatismo craniano, dentre outros ferimentos.

Logo após o enterro de Fabiane, a Polícia Civil do Guarujá determinou uma verdadeira caça aos linchadores, contando com as imagens feitas pelos celulares e pelo Disque-Denúncia. Em menos de uma semana, os cinco acusados foram detidos e acabaram confessando participação no crime.

Agora, mesmo depois de encaminhar o inquérito para a Justiça, o delegado Luís Ricardo de Lara Dias Júnior, afirma que as investigações para localizar outros suspeitos vão continuar, pois que quase uma dezena de pessoas participaram da ação criminosa, segundo as imagens de celular.

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