Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Justiça de SP manda soltar três suspeitos de incendiar estátua de Borba Gato

Paulo Galo, Danilo Silva e Thiago Zem se tornaram réus, mas responderão ao processo em liberdade. Incêndio ocorreu no dia 24 de julho e não deixou feridos

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2021 | 17h59

O Tribunal de Justiça de São Paulo mandou soltar nesta terça-feira, 10, três homens suspeitos de incendiar a estátua de Borba Gato, na zona sul de São Paulo. Estavam detidos o líder dos entregadores de aplicativo Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido como Paulo Galo, Danilo Silva de Oliveira e Thiago Zem. Eles se tornaram réus e devem responder ao processo em liberdade. 

Já a acusação contra Géssica Barbosa, mulher de Paulo Galo, foi arquivada. Para tomar a decisão, o juiz Eduardo Pereira Santos Júnior considerou a ausência de antecedentes criminais dos três. “Não há como se presumir que a soltura dos réus traga danos à ordem pública, prejudique a instrução criminal ou frustre a aplicação da lei penal”, escreveu o magistrado. 

Segundo o juiz, a prisão preventiva tratava-se de um “amargo remédio” a “valorizar o apelo midiático que a extravagância do caso encerra”. O incêndio da estátua provocou uma série de reações contrárias e favoráveis. 

Borba Gato foi um bandeirante paulista que no século 18 caçou indígenas e negros. Atualmente, o papel desses pioneiros na interiorização do País é conhecido e a condição de símbolo do Estado é questionada.

Ao ser detido, em 28 de julho, Paulo Galo afirmou que o incêndio foi provocado para "abrir o debate". "Para aqueles que dizem que a gente precisa ir por meios democráticos, o objetivo do ato foi abrir o debate. Agora, as pessoas decidem se elas querem uma estátua de 13 metros de altura de um genocida e abusador de mulheres", disse Lima.

O caso foi parar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, que concedeu liminar em habeas corpus revogando a prisão temporária de Paulo Galo. Pouco depois, a juíza Gabriela Marques da Silva Bertoli, do Tribunal de Justiça do Estado, converteu a prisão temporária em preventiva - o que impediu que o entregador fosse solto

O incêndio ocorreu no dia 24 de julho e não houve feridos. Um grupo chamado Revolução Periférica postou fotos e vídeo da estátua em chamas, no Instagram. Em uma das imagens era possível ver os pneus já pegando fogo com pessoas vestidas de preto e uma faixa com o nome do grupo e a frase: “A favela vai descer e não será Carnaval”.

Segundo a defesa de Paulo Galo, o entregador e os outros dois acusados pelo incêndio serão soltos nesta quarta-feira, 11, no Centro de Detenção Provisória I Chácara Belém.

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