Christian Rizzi/ESTADAO
Christian Rizzi/ESTADAO

Justiça condena Abdelmassih a pagar R$ 1 mi a vítima de abusos

Casal teria procurado o ex-médico para procedimento de fertilização in vitro, que não foi realizado; decisão é do TJ da Paraíba

O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2016 | 22h44

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB) condenou, nesta quarta-feira, 5, o ex-médico Roger Abdelmassih e a Clínica de Andrologia São Paulo Ltda a pagar R$ 1 milhão de indenização a um casal por abuso sexual durante um procedimento de fertilização in vitro. 

Segundo o processo, a vítima procurou Abdelmassih em 2006 para realização da fertilização in vitro. De acordo com informações do TJ-PB, na segunda consulta médica a mulher foi levada a uma sala de cirurgia, desacompanhada, para a retirada do óvulo e, depois, a uma sala de recuperação, onde, segundo o processo, Abdelmassih teria determinado que os funcionários saíssem e praticado abusos sexuais.

Segundo a vítima, o abuso não foi denunciado naquele momento por causa da reputação de Abdelmassih e da ausência de provas. Além disso, havia a possibilidade de existirem embriões do casal em poder da clínica onde o procedimento foi realizado. 

Após a terceira consulta, no entanto, o casal procurou o médico que tinha feito o primeiro atendimento. “A informação era de que a clínica havia implantado cinco óvulos. Contudo, foi constatado que não havia nenhum óvulo ou embrião. Dessa forma, não havia possibilidade de gravidez e nenhuma garantia da realização da inseminação e do implante na forma contratada”, alegou a vítima, segundo publicação do TJ-PB. 

O juiz José Ferreira Ramos, da 10ª Vara Cível de João Pessoa, decidiu acolher o pedido por danos morais por causa da comprovada existência do abuso sexual. “Os danos morais, nessas circunstâncias, são inerentes ao abuso sexual que o médico perpetrou contra a paciente, valendo-se da sua presumível inexperiência e confiança própria da relação profissional estabelecida”, explicou, em sua decisão.

Tremembé. O ex-médico cumpre pena no Presídio de Tremembé, no interior paulista, e divide o espaço com “detentos famosos”, como Alexandre Nardoni e o ex-promotor Igor Ferreira. Apesar da sentença de 181 anos de prisão, por lei só ficará preso por 30 anos.

Abdelmassih foi preso em agosto de 2014, após três anos foragido. Ele, a mulher e os dois filhos pequenos estavam morando no Paraguai, em uma casa de alto padrão.

Na época, a polícia apurou que Abdelmassih recebia ajuda financeira de amigos e usava disfarces e documentos falsos. O que chamou a atenção dos policiais é que ele fazia sessões de terapia com um psicólogo de São Paulo por telefone. 

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