Justiça da Argentina decidirá se alpinista será resgatado

Mesmo que missão seja autorizada, será difícil chegar onde amiga deixou brasileiro para buscar socorro

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2011 | 00h00

As autoridades argentinas ainda não definiram se resgatarão o corpo do alpinista brasileiro Bernardo Collares Arantes, de 46 anos, que na segunda-feira sofreu um grave acidente quando descia o Monte Fitz Roy, em El Chaltén, na Província de Santa Cruz, extremo sul da Argentina. Ele escalava o monte com a amiga Kika Bradford, que foi obrigada a deixá-lo na montanha, com hemorragia interna e provável fratura da bacia, para buscar socorro. Kika chegou à base um dia depois. As más condições climáticas impediram o resgate.

Por trás da decisão final, nas mãos da Justiça Federal da cidade de Río Gallegos, estão as graves dificuldades para se aproximar do lugar do acidente, os problemas climáticos que afetaram a área nesta semana, além dos riscos aos integrantes do resgate. O Fitz Roy, uma agulha de granito, é um dos picos de escalada mais difíceis na América do Sul.

"A Justiça até pode determinar que seja formada uma missão para resgatar o corpo. Mas aí vai aparecer um problema: quem estará disposto a subir até lá? Descer com um corpo ou uma pessoa ferida é uma tarefa complicadíssima. Seria mais ou menos como se o juiz ordenasse que alguém pulasse de um precipício. Não é fácil", disse ao Estado um integrante das forças de segurança da região que pediu para não ser identificado.

Bernardo - presidente da Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro e vice-presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada - caiu quando a corda do rapel que usava soltou-se. Ele despencou 15 metros. As autoridades de Santa Cruz consideram remotas as chances de encontrá-lo vivo.

O oficial Irález, da Gendarmería (corpo com funções policiais em zonas de fronteira) em El Chaltén, disse que Bernardo e Kika não informaram à Gendarmería nem às autoridades dos parques nacionais sobre a escalada. "Não existe a obrigatoriedade de informar, mas seria conveniente."

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