Justiça condena por tráfico de drogas ex-delegado do Denarc

Ele foi responsável pelas principais operações sigilosas do departamento; defesa recorre

Luciano Bottini e Marcelo Godoy,

14 Maio 2013 | 19h26

Responsável de 1996 a 2006 pelas principais operações sigilosas do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), o delegado Robert Leon Carrel foi condenado a 5 anos, 5 meses e 10 dias de reclusão por tráfico de drogas. Atualmente aposentado, Carrel é acusado de, em companhia de outros policiais, ter desviado parte de uma carga de cocaína que havia sido apreendida pelo departamento em um avião em Itu, em setembro de 2003.

 

A sentença foi dada pelo juiz Fernando Bonfutti Izidoro, da 29ª Vara Criminal de São Paulo. Além de Carrel, também foram condenados a 5 anos de prisão os investigadores Cleuber Gilson Bueno e Ricardo Ganzerla. Todos alegam inocência. O delegado Luiz Henrique Mendes de Moraes, também acusado, morreu antes da decisão. O grupo foi julgado inocente pelo crime de peculato (apropriação de um bem por funcionário público). Segundo o juiz, um laudo da perícia conseguiu demonstrar que havia ao menos 30 kg de droga a mais na aeronave, um Cessna 210.

 

"O juiz decidiu contra a prova dos autos", afirmou o advogado Daniel Bialski, que defende os policiais. Segundo ele, um laudo feito pela Polícia Federal foi inconclusivo a respeito da quantidade da droga apreendida no aeronave. O MPE baseava sua acusação em duas análises feitas pela PF na qual os peritos diziam ser factível - com base em fotos da droga feita ainda no avião - de que a carga tivesse pelo menos 30 quilos a mais do que os 98 quilos informados pelos policiais. No dia da apreensão, a Secretaria da Segurança Pública chegou a publicar em seu site que 200 quilos de cocaína haviam sido apreendidos.

 

O advogado de Carrel alega ainda que as escutas telefônicas da investigação do Denarc mostraram que os criminosos pretendiam trazer para São Paulo uma centena de quilos de cocaína. "Eles nunca citaram quantidade maior", afirmou Bialski. O advogado disse que entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça para anular a sentença, pois o juiz do caso não participou do recolhimento das provas. Além disso, Bialski encaminhou ao tribunal um recurso contra o mérito da condenação, alegando a inocência dos policiais. Todos receberam o direito de recorrer da decisão em liberdade.

 

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