Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Justiça condena jovem que ajudou a planejar massacre em Suzano

Adolescente de 17 anos ficará detido na Fundação Casa por tempo indeterminado

Redação, O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2019 | 17h48
Atualizado 08 de maio de 2019 | 12h01

SÃO PAULO - A Justiça considerou procedente ação contra o adolescente de 17 anos que era acusado de planejar e incentivar o massacre na Escola Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo. A chacina aconteceu no dia 13 de março e deixou, ao todo, dez mortos, incluindo os dois atiradores. 

Na prática, a decisão equivale à condenação do jovem, que já estava apreendido provisoriamente em uma unidade da Fundação Casa desde a semana seguinte ao ataque. A duração era de 45 dias. Agora, ficará internado por prazo indeterminado. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o prazo limite de apreensão de adolescentes infratores é de 3 anos.

Ex-aluno da Raul Brasil, o adolescente, embora não tenha participado diretamente do ataque, foi apontado por investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MPE-SP) como “mentor intelectual”. A defesa nega a participação do jovem no crime.

Entre as provas contra o menor estão mensagens de aplicativos de conversa e também o depoimento de uma professora de outra escola, onde fazia um curso. Ela declarou que, durante uma dinâmica de aula, ele chegou a afirmar que seu maior sonho era entrar em uma escola armado e atirar em várias pessoas de forma aleatória.

A Polícia Civil também conseguiu gravações de câmeras de segurança do menor praticando airsoft (réplica de arma) em um estande de tiros, dias antes do massacre. Na ocasião, ele estaria com G. T. M., de 17, o atirador apontado como o líder da chacina. O outro responsável pelo ataque foi Luiz Henrique de Castro, de 25 anos.

Segundo a investigação, o ataque foi inspirado no massacre de Columbine (EUA), que terminou com 15 mortos em 1999. Jogos de videogame e fóruns de ódio na dark web, a parte mais escondida da internet, também teriam influenciado.

No fim de março, o advogado do jovem, o criminalista Marcello Feller, afirmou que o menor chegou a “fantasiar” o ataque, mas não teria sido chamado. “O plano já estava em andamento antes de ele e o adolescente voltarem a se falar”, disse.

Investigação. Na semana passada, a polícia prendeu Geraldo de Oliveira Santos, de 41 anos, suspeito de ter fornecido o revólver calibre 38, usado no massacre, para G. T. M. Segundo a investigação, o intermediário foi Cristiano Cardias de Souza, o Cabelo, de 47 anos, que havia sido preso antes

 

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