Justiça condena bicheiros a 48 anos de prisão

Preso, Anísio da Beija-Flor está entre os 24 condenados por jogo ilegal, corrupção e formação de quadrilha; sentença ainda cita 2 desembargadores

ANTONIO PITA / RIO , O Estado de S.Paulo

14 Março 2012 | 03h03

Após cinco anos de investigações da Operação Hurricane, a Justiça federal condenou 24 pessoas por jogo ilegal e pelos crimes de corrupção e formação de quadrilha. Entre os condenados estão os contraventores Aniz Abrahaão David, o Anísio da Beija-Flor, Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, e Antonio Petrus Kalil, o Turcão. Cada um foi condenado a 48 anos de prisão por chefiar uma quadrilha de caça-níqueis e jogo do bicho no Rio e em Niterói.

Oito pessoas foram presas pela Polícia Federal na manhã de ontem após a publicação da sentença. Entre os presos está Capitão Guimarães, ex-oficial do Exército e ex-presidente da Liga Independente de Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). Ele e outros cinco condenados foram encaminhados para o Presídio Ary Franco, no Rio.

Anísio, patrono da Beija-Flor, e Turcão também foram presos. Anísio está sob custódia em um hospital particular da zona sul do Rio e Turcão está em prisão domiciliar, em Niterói, por causa da idade avançada e problemas de saúde. Duas pessoas ainda estão foragidas.

A sentença também cita o ex-desembargador José Eduardo Carreira Alvim e o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Oliveira Medina. Eles são investigados pelo crime de corrupção passiva. Por ter foro privilegiado, os magistrados são investigados em processo independente no Supremo Tribunal Federal (STF).

Responsável pelas condenações, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6.ª Vara Criminal, disse na sentença que pediu a prisão imediata dos dez réus que considera perigosos à sociedade. A sentença também levanta a suspeita de que "a quadrilha se relacione com milícias".

Para o advogado do Capitão Guimarães, Nélio Machado, a prisão foi "desnecessária e injusta". "Não tivemos acesso à sentença e não sabemos o motivo da prisão. Vamos analisar a situação para tentar restabelecer a liberdade dos clientes."

Os réus foram condenados em primeira instância pelos crimes de corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha. As sentenças variam de 2 a 48 anos de prisão. Eles também foram condenados a pagar multas que, no total, chegam a R$ 92 milhões. Ainda cabe recurso.

Operação Hurricane. Em abril de 2007, a Operação Hurricane da Polícia Federal prendeu 25 pessoas no Estado do Rio, na Bahia, no Distrito Federal e em São Paulo. Todos foram apontados como integrantes da cúpula do jogo do bicho no Rio e acusados de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, operação de jogo ilegal e corrupção.

Entre os suspeitos estavam magistrados, procuradores, empresários, policiais federais e civis. Nenhum dos magistrados foi preso na operação de ontem.

Jogo. A prática do jogo ilegal tem sido alvo constante de operações das Polícias Federal e Civil no Rio. Somente Anísio já foi preso quatro vezes nos últimos cinco anos. Em todas as ocasiões, o contraventor obteve liberdade por meio de recursos judiciais. A última prisão aconteceu em janeiro, mas na sexta, o STJ concedeu-lhe o direito de responder em liberdade.

Também foram beneficiados com a liminar Hélio Ribeiro de Oliveira, presidente de honra da Grande Rio, e Luiz Drummond, da Imperatriz Leopoldinense. Eles estão foragidos.

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