Polícia Civil/Reprodução/Metrô
Polícia Civil/Reprodução/Metrô

Justiça arquiva inquérito sobre morte de menino atropelado no Metrô

Criança de 3 anos afastou-se da família e desembarcou sozinho do trem; MP indicou que mãe já está sofrendo 'maior punição que se pode atingir'

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 00h47

A Justiça de São Paulo decidiu arquivar o inquérito que apurava a morte do menino Luan Silva de Oliveira, de 3 anos, atropelado por um trem do Metrô de São Paulo em dezembro do ano passado. O pedido de arquivamento havia sido feito pelo Ministério Público. 

O inquérito investigava suposta culpa da mãe de Luan, Lineia Oliveira Silva. A mulher era a única investigada no caso. No dia da tragédia, o menino viajava de metrô com a mãe e outros familiares, quando, na Estação Santa Cruz da Linha 1-Azul do Metrô, afastou-se da mãe e desembarcou do trem. 

Os parentes não conseguiram sair do trem na Estação Santa Cruz e desceram na parada seguinte. Retornaram, então, à estação onde o menino desembarcou e buscaram ajuda de funcionários para localizar a criança. Luan foi encontrado nos trilhos por um operador de trens com ferimentos na cabeça.

O menino chegou a ser levado para o Pronto-Socorro do Hospital São Paulo, mas não resistiu. A perícia concluiu que Luan foi atropelado depois de percorrer aproximadamente 260 metros do túnel de trens. 

A Polícia Civil ouviu parentes da criança e funcionários do Metrô. O relatório, assinado pelo delegado Marcelo Augusto Gondim Monteiro, indica que a única pessoa em tese "passível de responsabilização penal" seria Lineia, mas a corporação deixaria de indiciá-la para não penalizá-la outra vez. 

Para Ariel de Castro Alves, advogado de Lineia, a mãe da criança fez o que estava ao seu alcance. Segundo Alves, os laudos do Instituto de Criminalística, feitos com base nas imagens do circuito de câmeras do Metrô, mostram que a mãe tentou correr atrás de Luan, mas a porta imediatamente se fechou e o trem deu partida. Segundo ele, as imagens também mostram que a criança se desvencilhou da mãe e saiu do vagão rapidamente, de forma inesperada.

No pedido de arquivamento, o promotor Marcelo Luiz Barone destacou que "a perda de um filho para uma mãe é a maior punição que se pode atingir" e sustentou que "não há que se instaurar processo para que ao final seja julgado extinto, uma vez que os fatos já estão devidamente comprovados e por economia processual, seria um absurdo realizar processo do qual já se sabe o resultado."

Segundo o advogado, há possibilidade de entrar com ação de danos morais e materiais contra o Metrô. Procurado, o Metrô de São Paulo informou que não se manifestaria sobre a decisão da Justiça de arquivamento do inquérito. 

 

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