Justiça aceita denúncia e polícia prende casal Nardoni

Casal saiu algemado da casa de família Jatobá por volta das 22h30; defesa pedirá habeas-corpus

da Redação, estadao.com.br

07 de maio de 2008 | 18h19

Foto: Werther Santana/AE SÃO PAULO - Após quatro horas de impasse no apartamento da família Jatobá em Guarulhos, o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foi preso pela polícia na noite desta quarta-feira, 7. Algemados, ambos foram levados, em viaturas separadas, até o 9º Distrito Policial, do Carandiru, para ser notificados oficialmente da prisão preventiva. Os dois tiveram a prisão decretada pelo juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Ele acolheu denúncia do promotor Francisco Cembranelli acusando Alexandre e Anna Jatobá pelo homicídio triplamente qualificado da menina Isabella Nardoni, que no dia 29 de março foi atirada do 6º andar do edifício London, na vila Izolina Mazzei.  VEJA TAMBÉMImagens da prisão de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá 'Aconteceu o esperado', diz promotor sobre decisão da JustiçaLeia a conclusão da Justiça sobre o inquérito policial'Nada muda' na defesa do casal Nardoni, dizem advogadosDefesa duvida de prisão preventiva de casal NardoniFotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella  As viaturas policiais saíram sob protesto de uma multidão que se aglomerava na frente do edifício. A polícia fez uma barreira com cavaletes de madeira para limitar o acesso das pessoas na região e facilitar a saída das viaturas. A rua também foi interditada nos dois sentidos, onde a movimentação de jornalistas era grande.  A chegada do casal à delegacia também foi tumultuada pelos jornalistas e pessoas que estavam no local. Vários repórteres tentaram conversar com Anna Jatobá e Alexandre assim que eles desceram das viaturas, protegidos por policiais, mas não conseguiram.  Após serem notificados, Alexandre e Anna Jatobá deixaram a delegacia e, por volta das 00h15, foram levados ao IML para fazer exames de corpo de delito e, depois, para as unidades onde ficarão presos. O pai da menina ficará no 13º DP, na Casa Verde, e a madrasta no 97º DP, em Americanópolis. Ela deve ser transferida nesta quinta-feira, 8, para um Centro de Detenção Provisória (CDP). O advogado do casal, Marco Polo Levorin, afirmou que entrará com pedido de habeas-corpus a favor do casal já na quinta-feira, 8. O juiz Maurício Fossen acolheu todos os argumentos levantados pelo promotor Francisco Cembranelli ao pedir a prisão. Para justificar a decretação da prisão preventiva, Fossen classificou Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá como pessoas "sem sensibilidade moral, sem compaixão, desleais e predispostos a buscar sua impunidade". Ainda segundo o juiz, além da responsabilidade legal de Alexandre em proteger a menina, os dois tinham dever moral de zelar por sua segurança, mas isso "foi desprezado por eles, posto que, além da acusação de esganadura contra a menina, a qual teria provocado um quadro de asfixia mecânica, como apontado na conclusão do laudo pericial juntado aos autos, foi ainda brutalmente atirada pela janela do 6º andar do prédio onde a família residia, sem nenhuma piedade." No entendimento do juiz, "a prova pericial juntada aos autos apresenta fortes indícios de que o local do crime foi sensivelmente alterado, com o evidente intuito de prejudicar eventuais investigações". Em seguida, ele escreveu: "Este comportamento atentatório à lealdade processual atribuído a eles constitui forte indício para demonstrar a predisposição dos mesmos em prejudicar a lisura e o bom resultado da instrução processual em Juízo, com o objetivo de tentar obter sua impunidade." Fossen destacou também o peso do clamor social na decretação da prisão, o que garante a ordem pública e a credibilidade da Justiça. Nas palavras dele, os resultados da investigação policial "foram acompanhados de perto pela população, o que lhe permitiu formar suas próprias conclusões (...) que, por conta disso, afasta a hipótese de que tal clamor público seja completamente destituído de legitimidade.(Colaboraram Rodrigo Brancatelli e Laura Diniz, de O Estado de S.Paulo, e Agência Estado) Texto atualizado às 02h24 para acréscimo de informações.

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