Júri do caso Carandiru é marcado para janeiro de 2013

Vinte e oito réus serão julgados no dia 28 de janeiro do ano que vem pelo massacre de 1992 na Casa de Detenção

O Estado de S. Paulo,

27 de setembro de 2012 | 19h56

Texto atualizado às 22h10. SÃO PAULO - A 2ª Vara do Júri marcou para o dia 28 de janeiro do ano que vem o julgamento de parte dos réus acusados de terem participado do chamado massacre da Casa de Detenção do Carandiru, no dia 2 de outubro de 1992, que deixou 111 detentos mortos. A decisão foi do juiz José Augusto Nardy Marzagão e ocorre às vésperas do caso completar 20 anos.

O julgamento deve ocorrer no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste. O juiz do caso negou o pedido da defesa de realizar o confronto balístico das armas. Segundo o Instituto de Criminalística, o tempo decorrido desde que o episódio impossibilita a realização do exame.

Nesse dia, irá a júri somente a tropa comanda pelo capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos, que atuou no 2º pavimento, comandando 26 homens. Eles são acusados de matar 15 pessoas.

Vinte e oito réus serão julgados: Ronaldo Ribeiro dos Santos, Aércio Dornellas Santos, Wlandekis Antônio Cândido Silva, Roberto Alberto da Silva, Joel Cantílio Dias, Antonio Luiz Aparecido Marangoni, Valter Ribeiro da Silva, Pedro Paulo de Oliveira Marques, Fervásio Pereira dos Santos Filho, Marcos Antônio de Medeiros, Haroldo Wilson de Mello, Luciano Wukschitz Bonani, Paulo Estevão de Melo, Roberto Yoshio Yoshicado, Salvador Sarnelli, Fernando Trindade, Antônio Mauro Scarpa, Argemiro Cândido, Elder Taraboni, Sidnei Serafim dos Anjos, Marcelo José de Lira, Roberto do Carmo Filho, Zaqueu Teixeira, Osvaldo Papa, Marcos Ricardo Polinato, Reinaldo Henrique de Oliveira, Eduardo Espósito e Maurício Marchese Rodrigues.

O julgamento vai ocorrer por etapas, sendo divididos de acordo com os pavimentos onde morreram os detentos do Pavilhão 9, do Carandiru. O prédio tinha 5 pavimentos e cada tropa atuou em um deles. Os processos vão diferir conforme o número de mortos ocorridos em cada um dos pavimentos. O 2º Pavimento, comandado pelo capitão Valter Alves Mendonça, foi o que registrou maior número de mortos. Foram 73 no total.

Ubirantan. Em 2001, o coronel Ubiratan Guimarães foi condenado a 632 anos de prisão por comandar a ação no Carandiru, mas em fevereiro de 2006 o Tribunal de Justiça de São Paulo reinterpretou a decisão do 2.º Tribunal do Júri e decidiu absolver o coronel. Ubiratan foi morto em setembro de 2006 com um tiro na barriga, em seu apartamento nos Jardins, região nobre de São Paulo.

Carandiru. A Casa de Detenção foi inaugurada em 1956 pelo então governador Jânio Quadros. O projeto inicial era de abrigar até 3.250 presos, mas com o passar dos anos a capacidade máxima foi  ampliada para 6.300. No início da década de 90, a população oscilou perto dos sete mil.

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