Júri do Carandiru é suspenso após jurado passar mal

Expectativa é de que seja retomado hoje. Mas há risco de o julgamento ter de ser cancelado, caso o jurado não melhore

O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2013 | 02h02

O julgamento dos policiais militares acusados do Massacre do Carandiru, que entraria no seu terceiro dia, foi suspenso ontem à tarde, após um jurado passar mal e precisar de atendimento médico. A expectativa é de que seja retomado hoje. Em dez dias, foi a segunda suspensão. Previsto para começar no dia 8, foi adiado em uma semana depois que uma jurada passou mal.

Uma nova avaliação médica será feita hoje. A previsão do juiz José Augusto Nardy Marzagão é de que os trabalhos sejam retomados a partir das 9h. "Não é nada grave, tanto que ele (o jurado) queria continuar os trabalhos. A prioridade é a saúde do jurado e seguimos a recomendação médica que solicitou repouso", disse.

Caso não haja melhoras na saúde do jurado e ele continue impossibilitado de continuar no julgamento, o júri pode ser cancelado. Nesse caso, haverá a necessidade de se compor um novo conselho de sentença, escolhendo novos jurados que recomeçariam os trabalhos da estaca zero.

Nos dois primeiros dias de julgamento, foram ouvidas seis testemunhas de defesa e cinco da acusação. Elas precisariam ser ouvidas novamente. O juiz não soube especificar o problema de saúde do réu. "Ele teve um mal-estar, os médicos não me passaram um diagnóstico, mas ele está sendo medicado", disse.

Segundo o juiz, apesar da suspensão do julgamento, a expectativa é de que a sentença dos réus seja dada até amanhã. Quatro dos 26 réus devem depor hoje. Amanhã, ocorrerão os debates entre defesa e acusação e será promulgada a sentença dos réus. Durante todo o julgamento, os jurados têm de ficar isolados e não podem ter contato nem entre eles. A medida visa a evitar influência externa na sentença.

Desmembrado. O crime aconteceu em outubro de 1992, quando 111 presos foram mortos no Pavilhão 9 depois do ingresso da Polícia Militar no presídio. Os julgamentos foram desmembrados e a estimativa é de que sejam separados por intervalos de quatro meses. No primeiro júri, que começou nesta semana, são 26 acusados de matar 15 presos. No próximo, que deve ser somente no segundo semestre deste ano, há um comandante e 29 PMs acusados de matar 78 pessoas no segundo pavimento. / BRUNO PAES MANSO

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