Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Júri decide futuro de Lindemberg nesta quarta-feira em Santo André

Teses de rapaz agressivo e de menino trabalhador serão confrontadas em debate. Defesa de acusado diz que ele deve falar pela 1ª vez

Adriana Ferraz e Artur Rodrigues, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2012 | 23h38

SÃO PAULO - Um rapaz agressivo que, após ser rejeitado, premeditou o assassinato da ex-namorada. Ou um "menino trabalhador", que, apaixonado, invadiu o apartamento de Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, para tentar se reconciliar, mas, pressionado pela polícia e pelo assédio da mídia, acabou cometendo uma loucura e a matou.

Hoje, a opinião dos jurados sobre as teses da defesa e da acusação devem ser conhecidas, assim como o futuro do réu, Lindemberg Alves, de 25 anos, que, pela primeira vez, deve apresentar sua versão dos fatos à Justiça. O interrogatório do ex-motoboy é esperado para hoje de manhã, no terceiro e provável último dia do júri do caso Eloá.

De um lado, o Ministério Público Estadual sustentará a tese de que Lindemberg tem natureza agressiva e premeditou o assassinato da ex-namorada. De outro, a defesa tentará deslocar o foco do julgamento para a cobertura jornalística e a atuação policial e, em uma manobra arriscada, poderá até afirmar que as balas que mataram a jovem não partiram da arma do acusado.

Pouco provável de ser apresentada pela advogada Ana Lucia Assad, a tese de que não foi Lindemberg que matou Eloá se deriva do fato de que a perícia residuográfica não constatou pólvora nas mãos de Lindemberg após o crime. Por outro lado, a mesma perícia comprovou que o calibre do revólver de onde saíram as balas que mataram a jovem era 32, o mesmo do acusado.

Além disso, segundo o perito Hélio Rodrigues Ramacciotti, ouvido ontem pela acusação - a defesa o convocou, mas, na última hora, desistiu de ouvi-lo -, o laudo residuográfico é sempre inconclusivo. "Mas não os estragos de uma pistola ponto 40 (a arma usada pela Polícia Militar). Se a Nayara (amiga de Eloá que também estava no apartamento), por exemplo, tivesse sido atingida por ela, talvez não estivesse viva hoje", afirmou.

Especialistas em júri afirmam que, se bem formulada, a estratégia da defesa de negar a autoria dos disparos pode confundir os jurados, já que durante sua sustentação a advogada Ana Lucia Assad não precisa provar nada, apenas levantar hipóteses e dúvidas. E a defensora tem ainda outro caminho a seguir, mais fácil em casos que envolvem relacionamentos amorosos: a tese do crime passional. Lindemberg pode ter matado durante um surto por amor.

Ontem, durante depoimento, o delegado Sérgio Luditza, na época titular do 6.º DP de Santo André, responsável pela ocorrência, relatou um surto de Lindemberg. Segundo ele, tudo caminhava para resolução pacífica, mas uma frase de Lindemberg teria motivado a invasão: "Estou ouvindo um anjo e um capetinha, e o capetinha está vencendo".

Até agora, Ana Lucia se negou a revelar sua argumentação. Quando fala à imprensa, diz apenas que Lindemberg é um "bom menino" e tem direito à defesa. Mas promete surpresas. Segundo ela, na hora certa, a "verdade real" será esclarecida. Enquanto isso, aponta o sensacionalismo da mídia e o fracasso da polícia ao não conseguir a rendição do réu como corresponsáveis pelos crimes.

A performance da defensora ontem no plenário mostrou que sua atuação hoje promete causar polêmica. Ontem à noite, por exemplo, ela disse que recebeu dois coletes à prova de balas, sem mencionar quem os enviou. Ela quis dizer que estava protegida diante da hostilização pública que vem sofrendo. Na hora do almoço, ela também pediu escolta para ir até a padaria, por não se sentir segura com as manifestações da população.

Monstro. Já a promotora de Justiça Daniela Hashimoto e seus advogados assistentes já demonstraram a linha de trabalho que adotarão hoje. Nos últimos dois dias, eles reforçaram a imagem violenta do réu, classificado ontem em plenário pelos irmãos da vítima como "um monstro" que não merece perdão.

As duas sustentações serão dirigidas aos sete jurados - seis homens e uma mulher -, que decidirão se Lindemberg deve ser condenado pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio, cárcere privado e disparo de arma de fogo. Cada lado tem direito a 1h30. A expectativa é de que o resultado saia no fim da noite.

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